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Gaeco prende delegado e policiais suspeitos de desviar drogas apreendidas

Operação Infiltrados mirou policiais civis, militares e penal em Campo Grande, Dourados e Terenos.

25/09/2026 às 06:27
3 min de leitura
Agentes do Gaeco deixam casa de delegado após cumprimento de mandado de busca na Operação Infiltrados
Agentes do Gaeco deixando a casa de delegado nesta quinta-feira (24) após cumprimento de mandado de busca (Foto: Juliano Almeida)

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O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Infiltrados, que investiga a suspeita de que policiais desviavam drogas apreendidas pelo Estado e as devolviam ao mercado ilegal. A ação cumpre 26 mandados de prisão e 38 buscas em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Entre os presos está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-comandante da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). A defesa nega fuga e afirma que ele não sabia da operação. Horas depois, o delegado se apresentou e passou a cumprir prisão preventiva.

Investigação teve origem em operações anteriores

A Operação Infiltrados não surgiu de uma apuração isolada. Segundo o Gaeco, a análise de provas coletadas nas operações Traquetos e Blindspot, que já haviam revelado conexões entre traficantes e servidores públicos, levou a suspeitas de que policiais usavam acesso funcional para retirar entorpecentes da custódia estatal.

Na Operação Traquetos, em 2023, o Gaeco investigou um esquema milionário de tráfico e lavagem de dinheiro, com estrutura empresarial e financiamento de até R$ 1 milhão por um pecuarista. Já na Operação Blindspot, em julho de 2025, a apuração apontou o uso de caminhoneiros para transporte interestadual de drogas e a suspeita de infiltração de um policial penal que compartilhava informações sigilosas com o PCC.

Policiais presos na operação

Além do delegado, foram presos os investigadores da Polícia Civil: Nelson Ricardo Barros de Oliveira, 40 anos; Douglas Tobias, 45 anos; Neverson Vieira de Araújo, 44 anos; Luiz Carlos de Souza, 37 anos; Nilton César Sales dos Santos, 55 anos; Wesley Benites; e o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, 39 anos, conhecido como “Paraíba”.

Também foram alvos de mandados de prisão o policial militar Alison Lemes Bezerra, o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos (já preso), além de Valdenice da Silva Goes, mãe de um investigado, e Ana Carolina da Silva dos Santos, irmã de um suspeito. Kayon Lucas Leodoro da Silva, 19 anos, e Ebert de Almeida completam a lista.

Esquema de desvio de drogas

A suspeita central é que policiais com acesso direto às apreensões usavam da estrutura estatal para desviar entorpecentes, especialmente cocaína, e reinseri-los no mercado ilegal. O Gaeco ainda não divulgou detalhes específicos sobre a conduta atribuída ao delegado, mas a investigação aponta que o desvio era feito de forma sistemática.

Até o momento, a operação segue em andamento e as investigações devem revelar mais conexões entre os envolvidos e o tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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