Garras expõe violência de facção e mortes de inocentes em MS
Delegacia aponta que criminosos do Comando Vermelho avançam no Estado e não se preocupam com efeitos colaterais, como a morte de uma criança de 3 anos.
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Homicídios, execuções, “tribunais do crime” e confrontos com policiais fazem parte do rastro de violência que, segundo a Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Resgate a Assaltos e Sequestros), acompanha o avanço do Comando Vermelho em Mato Grosso do Sul. A facção carioca deixou a região de fronteira com Mato Grosso e passou a avançar pelo Estado, chegando a cidades como Sidrolândia, Rio Brilhante e Maracaju.
Confrontos e mortes durante operações
Em poucos dias, três suspeitos morreram em confrontos com policiais durante diligências relacionadas à organização criminosa. Outros integrantes foram presos, armas e drogas apreendidas. Um possível “tribunal do crime” foi interrompido antes que quatro pessoas fossem executadas.
O delegado titular da Garras, Roberto Guimarães, destacou a disposição dos criminosos para matar sem se importar com quem esteja ao redor. “Eles chegam e disparam de forma aleatória, sem se preocupar com qualquer tipo de efeito colateral”, afirmou durante coletiva à imprensa nesta sexta-feira (25). Ele citou o caso recente de uma criança de 3 anos morta durante um ataque no interior como exemplo desse comportamento.
Entre os nomes apontados pela investigação está Paulo Ricardo Bueno, conhecido como “Terrível” ou “Pierre CV”, morto na noite desta quinta-feira durante abordagem da Garras em uma casa no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Segundo o delegado Ivan Barreira, diretor do DPE (Departamento de Polícia Especializada), ele era um dos principais pistoleiros da organização na região de Sidrolândia, Rio Brilhante e Maracaju. “Só em Sidrolândia ele tem quatro homicídios e alguns outros em Rio Brilhante”, afirmou.
- Armas apreendidas: revólver calibre .32 e outras
- Mortes em confronto: três suspeitos
- Prisões: 11 suspeitos detidos
Tribunal do crime interrompido em Rio Brilhante
A sequência de violência também levou os investigadores a um imóvel em Rio Brilhante onde ocorreria um possível “tribunal do crime”. Durante a ação, Erique Junior Roque de Oliveira, de 25 anos, reagiu à abordagem policial e morreu após ser atingido por disparos. A descoberta ocorreu durante as investigações sobre o assassinato de Kauan Rodrigues de Matos, de 20 anos, morto no Bairro Benedito Rondon.
Os autores chegaram em uma motocicleta roubada, atacaram Kauan com uma faca e efetuaram um disparo. Depois do homicídio, os investigadores chegaram a uma residência onde encontraram dois homens amarrados e ajoelhados e duas mulheres trancadas em um quarto. Todos seriam torturados e mortos. Os suspeitos fugiram ao perceber a chegada das equipes, mas as quatro vítimas foram resgatadas.
Avanço da facção pelo Estado
O delegado Ivan Barreira afirmou que o movimento da facção pelo Estado não é recente. A expansão começou no Norte, principalmente em cidades próximas à divisa com Mato Grosso, e avançou gradualmente. “Começou pelo Norte, na região de Coxim, foi se estendendo por Costa Rica, até Três Lagoas, e agora desceu para a região Sul”, explicou.
Segundo a Polícia Civil, a facção tenta aproveitar a proximidade com Mato Grosso, onde possui presença mais forte, para ampliar o território em Mato Grosso do Sul. “Do meio do ano passado para cá, eles estão tentando essa expansão”, afirmou. A polícia diz trabalhar para impedir que a organização consolide no Estado uma estrutura semelhante à observada no Rio de Janeiro.
Recrutamento de adolescentes e narcocultura
A expansão também tem sido acompanhada pelo recrutamento de adolescentes. Segundo Roberto Guimarães, jovens são atraídos por dinheiro, armas, ostentação e pela sensação de pertencimento ao grupo. É nesse contexto que os investigadores utilizam o termo “narcocultura”.
A expressão foi usada durante a coletiva para explicar a influência das organizações criminosas sobre adolescentes, principalmente por meio das redes sociais. Armas, dinheiro, joias, símbolos e códigos utilizados pelas facções passam a ser exibidos como status. Segundo a investigação, adolescentes podem ser usados para guardar drogas e armas, alugar imóveis e dar suporte logístico. “É uma tendência da facção carioca. A carioca tem sido uma tendência crescente na utilização de adolescentes aqui no Estado”, afirmou Roberto.
Estratégia da polícia: atingir o topo da facção
Apesar de a investigação ter revelado possíveis autores de homicídios, o delegado Roberto afirma que o foco não é apenas esclarecer mortes. A estratégia é atingir a organização criminosa como um todo, identificar lideranças e interromper a estrutura que permite a prática dos crimes.
Parte das determinações para atuação da facção em Mato Grosso do Sul teria origem fora do Estado. Por isso, a polícia busca chegar às pessoas que ocupam posições superiores na cadeia criminosa. A intenção, segundo a Garras, é impedir que a facção transforme a sequência de ataques e homicídios em uma estrutura permanente de atuação no Estado.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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