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POLICIA

Cocaína apreendida era negociada por policiais 48 minutos depois, aponta Gaeco

Investigação do Gaeco revela que 326 kg de cocaína apreendidos em Campo Grande foram oferecidos a traficantes por policiais da Denar minutos após a apreensão.

26/09/2026 às 11:06
3 min de leitura
Cocaína apreendida era negociada por policiais 48 minutos após chegar à delegacia, segundo Gaeco.
Reportagem no canal do Governo Federal sobre a apreensão de 326 quilos de droga em Mato Grosso do Sul.(Foto: Reprodução)

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Uma carga de 326 quilos de cocaína, apreendida em operação conjunta da PRF e do Dracco em 14 de dezembro de 2022, chegou à Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) de Campo Grande às 13h04. Apenas 48 minutos depois, segundo relatório do Gaeco, a droga já era negociada por policiais civis com uma organização criminosa.

Conversa interceptada 48 minutos após apreensão

Às 13h52, o traficante Edmilson Santos Pereira e o intermediário Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, discutiam a compra da cocaína. Em transcrição citada no relatório, a fala “Vê se eles não pega dessa que chegou hi (…) Vamos pegar sim” é interpretada como referência à droga recém-chegada à delegacia.

Os policiais mencionados na investigação são Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva.

Marca “BUGATTI” reforça suspeita

Três dias depois, uma fotografia enviada por Lucas a Edmilson mostrava um tablete de cocaína com a inscrição “BUGATTI”, mesma marca encontrada nos tabletes apreendidos no dia 14. Para o Gaeco, essa é uma das evidências de que a droga negociada era a mesma carga apreendida.

Em conversas posteriores, os envolvidos discutiram valores e quantidades. Lucas perguntou sobre “uns 40”, interpretado como 40 quilos, e disse: “Dá pra nós ganhar um lucrinho entendeu? Girar dinheiro pô, pra depois pagar os caras.”

Pagamentos em dinheiro vivo e pressa antes das férias

A investigação aponta que a negociação dependia de pagamento aos supostos fornecedores. Em áudio, Lucas cobra Edmilson: “Mane preciso paga a fita lá mano. De fé.” Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo, e Edmilson chegou a enviar fotos de maços de dinheiro.

Lucas também demonstrou pressa, pois os “fornecedores” entrariam em férias naquela semana. Para o Gaeco, a referência era aos policiais lotados na Denar.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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