Suspeito planejou usar caminhão dos Correios para traficar 150 kg de cocaína
Conversas interceptadas pelo Gaeco revelam plano de usar veículo oficial para evitar suspeitas no transporte de droga.
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Documentos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Infiltrados mostram que criminosos cogitaram usar um caminhão dos Correios para transportar até 150 quilos de cocaína. Nas conversas interceptadas, o grupo discutia o transporte da droga, o veículo, a rota e a divisão dos valores. Não há funcionários dos Correios sob suspeita, e a negociação não chegou a ser concretizada, segundo o relatório.
Diálogos revelam estratégia de dissimulação
Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, é apontado pela investigação como um dos articuladores. Em uma conversa, ele menciona uma carga de grande volume vinda de Porto Murtinho, com passagem por Sidrolândia, e fala em pagamento de R$ 50 mil para cada participante. “As ideia tem que bater, viado, tá ligado? 150, agora a gente não sabe se é brilho ou é coisa, entendeu?”, diz trecho transcrito.
O grupo discutia a utilização de um caminhão da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos para dar aparência regular ao transporte. Segundo o Gaeco, a escolha do veículo visava reduzir suspeitas durante fiscalizações. “Mostrar o caminhão vai dar 100% lindo”, afirma LK em outro trecho. Os envolvidos também avaliaram que não bastava apenas apresentar o veículo, mas que ele precisava realizar fretes de verdade para não levantar suspeitas.
Segunda frente com carreta e participação de policial
Em março de 2025, os investigados passaram a discutir outra operação, desta vez com uma carreta para transportar uma carga maior. Nas conversas, mencionavam uma remessa que poderia chegar a 930 quilos, mas avaliavam que 450 quilos era mais provável. Para viabilizar o transporte, LK relatou que buscava levantar R$ 25 mil para custear a locação da carreta, valor dividido entre LK, um indivíduo chamado de “Terror” e o policial civil Neverson Vieira de Araújo, que já foi lotado na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
O relatório aponta que a operação dependia da participação de agentes públicos. LK cogitou que um policial acompanhasse o carregamento como batedor, usando a condição funcional para evitar suspeitas. Também discutiram simular uma abordagem policial para que o motorista fugisse e a carga fosse recuperada depois pelo grupo. “Dá pra falar pro motorista correr, tipo assim, os caras pegar, abordar ele… você corre… mas a carreta não dá pra tirar depois não, se prender não dá não”, diz trecho.
Motivação dos policiais segundo investigação
Em outra conversa, LK descreve a lógica por trás da atuação dos policiais cooptados: eles não queriam ficar com a droga para revenda, mas sim participar de ações que gerassem apreensões e reconhecimento funcional. “Porque os caras não pegam pra eles venderem, mané? Eles pegam pra prender mesmo, os caras prendem mesmo, o bagulho é doido. Aí nossa parte, porque eles sempre querem mais trampo, entendeu? Porque passa trampo pra eles ganham mérito lá e tal”, diz LK.
Esquema investigado na Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco com 26 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. A investigação apura suspeitas de envolvimento de agentes públicos em desvio de drogas apreendidas e favorecimento ao tráfico. Entre os alvos está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, apontado como integrante do núcleo de comando e responsável pela “chancela institucional” dentro do esquema, que envolveria policiais civis, militares e policial penal.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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