Do drone ao carrapato: policiais rastreavam cocaína para desviar em MS
Investigação do GAECO revela uso de rastreador, drones e sistemas oficiais para monitorar cargas de droga antes de apreensões.
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O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) detalha na Operação Infiltrados como policiais civis e militares, em parceria com traficantes, rastreavam carregamentos de cocaína para desviar parte da droga. O esquema envolvia desde dispositivos de GPS, chamados de “carrapato”, até drones e consultas em sistemas restritos de segurança pública.
Dispositivo de GPS instalado em veículo de carga
Segundo a investigação, o traficante Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, combinou com policiais civis a instalação de um rastreador em um veículo que transportaria cocaína. A carga, vinda da Província de Chapare, na Bolívia, estava atrasada. Em maio de 2025, o “carrapato” foi colocado no automóvel para que o grupo acompanhasse o trajeto e escolhesse o momento ideal para uma falsa apreensão.
Em conversas interceptadas, LK explicou o plano: “nós apreendemos metade e metade pega pra nós”. A suspeita do GAECO é de que a apreensão oficial seria encenada, com apenas parte do entorpecente apresentada à polícia.
Uso de sistemas oficiais e drones no monitoramento
Os investigadores encontraram nos dados telemáticos de LK capturas de tela do sistema Córtex, do Ministério da Justiça, e do Infoseg, que integram informações de segurança. As consultas eram feitas por policiais que repassavam os dados ao grupo. O policial civil Nilton Cesar Sales dos Santos, lotado na DERF, foi identificado como o responsável por operar o rastreador.
Além disso, drones foram usados para vigiar alvos do alto. Fotografias da tela de um equipamento DJI, datadas de 1º de junho de 2025, mostram o monitoramento de uma residência no Bairro Portal Caiobá, em Campo Grande. No dia seguinte, a fachada do imóvel foi fotografada e enviada a LK pelo WhatsApp.
Técnicas combinadas de vigilância
O GAECO descreve um esquema que integrava diferentes métodos para garantir o desvio de drogas:
- Rastreador GPS: instalado em veículos de carga para acompanhamento em tempo real via aplicativo.
- Consultas a sistemas oficiais: policiais acessavam Córtex, Infoseg e SIGO para obter dados de pessoas e veículos.
- Vigilância aérea: drones sobrevoavam alvos para orientar a equipe em terra.
- Divisão da droga: parte era apresentada como apreensão oficial, outra desviada para o tráfico.
Em uma conversa de 1º de junho de 2025, LK afirmou que cada policial envolvido na ação poderia receber entre R$ 50 mil e R$ 60 mil.
Repercussão e próximos passos
A Operação Infiltrados resultou em prisões e buscas autorizadas pela Justiça. O GAECO afirma que a investigação continua para identificar todos os envolvidos e quantificar o volume de drogas desviado. A Polícia Civil e o MPMS não comentaram o caso até o momento.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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