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Do drone ao carrapato: policiais rastreavam cocaína para desviar em MS

Investigação do GAECO revela uso de rastreador, drones e sistemas oficiais para monitorar cargas de droga antes de apreensões.

27/09/2026 às 10:06
3 min de leitura
Imagem de drone usada na investigação do GAECO mostra equipamento que monitorava alvos da organização criminosa
Busca feita por policiais no sistema Córtex em busca de dados de alvo de monitoramento. (Foto: Reprodução)

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O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) detalha na Operação Infiltrados como policiais civis e militares, em parceria com traficantes, rastreavam carregamentos de cocaína para desviar parte da droga. O esquema envolvia desde dispositivos de GPS, chamados de “carrapato”, até drones e consultas em sistemas restritos de segurança pública.

Dispositivo de GPS instalado em veículo de carga

Segundo a investigação, o traficante Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, combinou com policiais civis a instalação de um rastreador em um veículo que transportaria cocaína. A carga, vinda da Província de Chapare, na Bolívia, estava atrasada. Em maio de 2025, o “carrapato” foi colocado no automóvel para que o grupo acompanhasse o trajeto e escolhesse o momento ideal para uma falsa apreensão.

Em conversas interceptadas, LK explicou o plano: “nós apreendemos metade e metade pega pra nós”. A suspeita do GAECO é de que a apreensão oficial seria encenada, com apenas parte do entorpecente apresentada à polícia.

Uso de sistemas oficiais e drones no monitoramento

Os investigadores encontraram nos dados telemáticos de LK capturas de tela do sistema Córtex, do Ministério da Justiça, e do Infoseg, que integram informações de segurança. As consultas eram feitas por policiais que repassavam os dados ao grupo. O policial civil Nilton Cesar Sales dos Santos, lotado na DERF, foi identificado como o responsável por operar o rastreador.

Além disso, drones foram usados para vigiar alvos do alto. Fotografias da tela de um equipamento DJI, datadas de 1º de junho de 2025, mostram o monitoramento de uma residência no Bairro Portal Caiobá, em Campo Grande. No dia seguinte, a fachada do imóvel foi fotografada e enviada a LK pelo WhatsApp.

Técnicas combinadas de vigilância

O GAECO descreve um esquema que integrava diferentes métodos para garantir o desvio de drogas:

  • Rastreador GPS: instalado em veículos de carga para acompanhamento em tempo real via aplicativo.
  • Consultas a sistemas oficiais: policiais acessavam Córtex, Infoseg e SIGO para obter dados de pessoas e veículos.
  • Vigilância aérea: drones sobrevoavam alvos para orientar a equipe em terra.
  • Divisão da droga: parte era apresentada como apreensão oficial, outra desviada para o tráfico.

Em uma conversa de 1º de junho de 2025, LK afirmou que cada policial envolvido na ação poderia receber entre R$ 50 mil e R$ 60 mil.

Repercussão e próximos passos

A Operação Infiltrados resultou em prisões e buscas autorizadas pela Justiça. O GAECO afirma que a investigação continua para identificar todos os envolvidos e quantificar o volume de drogas desviado. A Polícia Civil e o MPMS não comentaram o caso até o momento.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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