Delegado é acusado de reter celulares para blindar esquema de cocaína
Gaeco sustenta que ex-titular da Denar segurou quatro aparelhos por meses, atrasando investigação sobre carga de cocaína em Bela Vista.
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O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) acusa o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), de ter obstruído a investigação sobre uma carga de cocaína apreendida em Bela Vista. Segundo o órgão, quatro celulares recolhidos durante a operação ficaram meses sem perícia, o que impediu a identificação de outros envolvidos no tráfico.
Gaeco aponta falha na perícia de celulares
Os aparelhos foram apreendidos em 21 de maio de 2024 com Hélio Luiz Mira e Cristian Emanuel Jaques Peralta. Na ocasião, a equipe da Denar apreendeu 643 quilos de cocaína. O boletim inicial não registrou a existência dos telefones, que só foram formalizados em 8 de outubro daquele ano. O envio para a Promotoria de Justiça de Bela Vista ocorreu em 10 de janeiro de 2025.
Para o Gaeco, a demora não foi mero erro administrativo. O órgão destaca que Hoffman, experiente no comando da Denar, saberia que os aparelhos deveriam ter sido encaminhados ao Instituto de Criminalística. A análise poderia revelar pagamentos e contatos com outros suspeitos.
Os quatro telefones eram dois iPhones, um Samsung e um Xiaomi. Os iPhones pertenciam a Cristian; os demais, a Hélio.
Denúncia anônima é questionada
A investigação também questiona a origem das informações que levaram à apreensão. O Gaeco sustenta que a carga não foi localizada a partir de uma denúncia anônima, mas por uma informação repassada por LK (Lucas da Silva dos Santos). O deslocamento de mais de 300 quilômetros de Campo Grande até Bela Vista, segundo o órgão, destoa do que seria esperado para uma denúncia anônima.
O documento cita ainda que LK teria comentado que o delegado, seu contato na polícia, daria uma coletiva antes de definir o andamento do desvio de entorpecente. O Gaeco vê indícios de que a ação teria sido combinada para desviar parte da carga, estimada em 400 quilos.
Suspeita de obstrução
Na conclusão, o Gaeco afirma que Hoffman agiu para “blindar o próprio esquema, da qual é o principal beneficiário”. A suspeita é de que o conteúdo dos celulares pudesse esclarecer a quantidade real de cocaína e o papel de LK como intermediário.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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