Corretora de MS percorre duas redes para iniciar quimioterapia contra câncer
Diagnosticada com câncer de mama avançado, corretora de 48 anos usou SUS e rede de Alcinópolis para acelerar tratamento.
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A corretora de imóveis Zuleide Lima Pereira, de 48 anos, descobriu um nódulo na mama em agosto de 2025. O ultrassom revelou um quadro avançado de câncer. Moradora de Coxim, ela iniciou uma corrida contra o tempo para conseguir tratamento.
Diagnóstico de câncer de mama e busca por atendimento
Zuleide imaginou que o nódulo fosse um furúnculo. Após o ultrassom em 28 de agosto, o diagnóstico foi confirmado. Ela procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Coxim pelo SUS. Simultaneamente, uma amiga ajudou a encaminhá-la pela rede de Alcinópolis, vinculada ao Hospital do Amor.
“Também consegui com uma amiga para dar entrada por Alcinópolis, pela Secretaria de Saúde de Alcinópolis, que era vinculada ao Hospital do Amor”, relata Zuleide.
Estratégia de duas frentes acelera tratamento
Ela também buscou o Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande. A estratégia era seguir pelo serviço que avançasse primeiro. O encaminhamento de Alcinópolis foi mais rápido. Em setembro, ela realizou exames e biópsia no Hospital do Amor. Foram 45 dias entre o primeiro exame e a biópsia.
Com o diagnóstico confirmado em outubro, Zuleide levou os resultados ao Hospital Alfredo Abrão. O atendimento avançou rapidamente. A equipe médica definiu o tratamento e programou as sessões de quimioterapia.
78 dias entre ultrassom e quimioterapia
A primeira sessão de quimioterapia ocorreu em 14 de novembro de 2025, dois dias antes do aniversário dela. Entre o ultrassom e o início do tratamento, transcorreram 78 dias, o equivalente a dois meses e 17 dias.
“O atendimento no Alfredo Abrão para mim foi a melhor coisa que aconteceu”, afirma. Além da assistência médica, Zuleide destaca o acompanhamento de nutricionista e psicóloga.
Números de mamografias suspeitas no estado
Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram mamografias com achados suspeitos em Mato Grosso do Sul:
- 2025: 705 mamografias BI-RADS 4 e 137 BI-RADS 5
- 2026: 474 mamografias BI-RADS 4 e 89 BI-RADS 5
A SES ressalta que nem todos esses exames exigem biópsia. A investigação depende da avaliação clínica e de exames complementares.
Falta de indicadores de continuidade
O Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) permite identificar mulheres com resultados graves, mas não possui alerta automático para pacientes sem continuidade. Cabe às equipes municipais fazer o acompanhamento individual e a busca ativa.
A SES afirma que não possui um indicador estadual consolidado para medir o tempo entre mamografia suspeita e a etapa seguinte da investigação.
MP investiga filas em Campo Grande
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil para apurar a eficiência da rede pública no diagnóstico precoce do câncer de mama. Documentos mostram filas para exames:
- Fevereiro de 2025: 146 pacientes aguardando ultrassonografia bilateral das mamas
- Abril de 2025: fila subiu para 266 solicitações de ultrassonografia; previsão de dois meses para atendimento
- Mesmo período: 126 pacientes esperando consulta com mastologista
- Inquérito registrou: 413 pacientes aguardando ultrassonografia, a mais antiga desde dezembro de 2023
O MP cobrou da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) a relação atualizada das filas e o caminho percorrido pela paciente, desde a solicitação até o diagnóstico definitivo.
Zuleide conclui tratamento e destaca atendimento
Zuleide fez 16 sessões de quimioterapia e passou por cirurgia em junho de 2026. Depois, realizou 15 sessões de radioterapia entre 8 e 29 de setembro. Hoje, ela permanece em acompanhamento.
“Eu fiquei angustiada por não saber como seria. A incerteza do futuro é o que mais assusta”, lembra. “A partir do momento que comecei o tratamento, percebi que o monstro não era tão assustador.”
A paciente também prestou concurso para a Prefeitura de Rio Verde de Mato Grosso antes de terminar a radioterapia.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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