Santa Casa de Campo Grande recebe R$ 4 milhões para custeio emergencial
Hospital que enfrenta crise administrativa e filas de cirurgia recebe aporte da Prefeitura e do Governo do Estado.
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Aporte emergencial de R$ 4 milhões
A Santa Casa de Campo Grande receberá um repasse urgente de R$ 4 milhões para recompor estoques de medicamentos e materiais médico-hospitalares. O convênio foi assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), secretários municipais e estaduais de Saúde e representantes do hospital. O recurso será dividido entre os cofres municipais (R$ 1 milhão) e estaduais (R$ 3 milhões).
- Prefeitura de Campo Grande: R$ 1 milhão
- Governo de Mato Grosso do Sul: R$ 3 milhões
- Vigência do convênio: 120 dias a partir da assinatura
A medida ocorre em meio a problemas administrativos, equipe reduzida e reclamações de pacientes sobre demora em cirurgias. O acordo conta com parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Pacientes aguardam cirurgias há semanas
Relatos de pacientes mostram a situação crítica. Izabel Cristina Ferreira, 60 anos, com tumor no cérebro, deu entrada no hospital em 19 de setembro e ainda não foi operada. A nora, Juliana Rodrigues Cramolish, relata angústia: “Estamos vivendo uma situação muito angustiante. Minhas cunhadas foram na Ouvidoria e até agora nada”.
Outro caso é de Luís Fernando Floriano da Silva, que fraturou o fêmur em acidente de moto no domingo (4). A esposa afirma que a cirurgia foi adiada mais de uma vez.
Falta de profissionais e desvio de funções
Além dos pacientes, trabalhadores da enfermagem denunciam acúmulo e desvio de funções. Em mediação no Ministério Público do Trabalho (MPT), a Santa Casa se comprometeu a discutir soluções em 15 dias. Entre as queixas, enfermeiros e técnicos estão fazendo tarefas de maqueiros, coleta de exames e transporte de pacientes.
O sindicato (Siems) aponta que a falta de maqueiros força profissionais a transportar pacientes, com relatos de suspensos após recusas. Nova reunião de mediação está marcada para 19 de outubro.
Intervenção judicial e investigação de fraudes
A Santa Casa está sob intervenção judicial desde a Operação Antidotum, que prendeu a presidente Alir Terra Lima e outras cinco pessoas. A investigação apura fraudes e desvios de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos. A operação cumpriu 36 mandados em Campo Grande, Dourados e Goiânia.
Segundo a denúncia, Alir comandava o esquema, controlando contratações e informações. O vice-presidente Jary Carvalho de Castro priorizou pagamentos à empresa Redvalue, mesmo sem prestação de serviços.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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