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ESTADO

Diretor de hospital é preso dois dias após acordo por kits escolares

Presidente do Hospital Dona Elmíria, em Sidrolândia, assinou ANPP na segunda e foi preso na 2ª fase da Dirty Pix.

07/10/2026 às 21:07
3 min de leitura
Diretor do Hospital Dona Elmíria, em Sidrolândia, é preso dois dias após acordo por kits escolares na Dirty Pix
Diretor do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, de Sidrolândia, Jacob Meeuwis Breure (Foto: Reprodução)

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O presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, de Sidrolândia, Jacob Meeuwis Breure, foi preso nesta quarta-feira (7) na segunda fase da Operação Dirty Pix. Dois dias antes, ele havia assinado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para evitar ação penal pela posse irregular de armas e munições encontradas na primeira etapa da investigação.

O pedido de aprovação do acordo foi protocolado na Justiça na terça-feira (6), véspera da nova prisão. Jacob assinou o ANPP na segunda-feira (5), acompanhado de advogado.

O que previa o acordo do diretor

O ANPP impõe condições e depende de aprovação judicial. No documento, o diretor aceitou:

  • abrir mão dos R$ 15.180 pagos como fiança quando foi preso em novembro de 2025;
  • comprar cinco kits de jogos educativos para doação à rede de ensino de Sidrolândia.

O compromisso se limita ao caso das armas e não abrange as suspeitas de desvio de dinheiro destinado ao hospital, investigadas na Dirty Pix.

Armas e munições apreendidas na 1ª fase

As armas foram encontradas em um baú de madeira e 69 munições em uma gaveta da casa de Jacob no dia 18 de novembro de 2025, durante cumprimento de mandado de busca da primeira fase da operação. Foram apreendidas:

  • Pistola Taurus PT 57S, calibre 7,65 milímetros;
  • CZ 92, calibre 6,35 milímetros;
  • Munições dos calibres .38, 7,65, 6,35 e .357.

Na ocasião, Jacob afirmou que o armamento pertencia ao sogro falecido e havia sido guardado pela esposa por valor sentimental. Ele confirmou ser dono do baú, mas disse desconhecer a presença das armas e munições no local.

O delegado Edson Caetano dos Santos determinou a prisão em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e arbitrou fiança de R$ 15.180, equivalente a dez salários mínimos da época. O valor foi pago e Jacob foi solto no mesmo dia.

O delegado também registrou a presença de um cartucho calibre .357, considerado de uso restrito. Ele decidiu não aplicar o enquadramento mais grave, argumentando que se tratava de uma única munição, sem arma compatível entre as apreendidas. A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna confirmou a regularidade do flagrante e determinou o arquivamento daquele procedimento. A investigação sobre o armamento continuou em inquérito próprio.

Em depoimento em dezembro de 2025, a esposa de Jacob, Laura Ynes Yule Fernandes Breure, confirmou que as armas e munições haviam pertencido ao pai, morto cerca de quatro anos antes. Ela assinou um acordo separado para comprar e doar uma Arca de Tesouros Literários com 54 títulos da coleção Inteligênios. Jacob e Laura concordaram em abrir mão das armas e munições, que deverão ser encaminhadas ao Comando do Exército.

Diretor tentou reaver celulares apreendidos

Paralelamente, Jacob pediu à Justiça a restituição de celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos na primeira fase. O pedido foi apresentado em 25 de agosto. A defesa afirmou que os aparelhos estavam retidos havia mais de nove meses e eram necessários às atividades pessoais, empresariais e à administração do hospital.

Os advogados disseram que não haviam recebido informação formal sobre a conclusão da perícia de extração dos dados nem sobre o estágio do trabalho técnico. Também sustentaram que não havia denúncia oferecida contra Jacob na investigação mencionada no pedido.

A defesa pediu a devolução imediata dos equipamentos, sob o argumento de que, depois de copiados e preservados os dados, não seria necessário manter os aparelhos apreendidos. Como alternativa, pediu que a Justiça fixasse um prazo para concluir a perícia e determinasse a entrega dos bens após o trabalho.

A petição mencionou ainda outras tentativas de contestar o bloqueio de valores e bens. Os advogados ressaltaram que o pedido dos aparelhos era separado da discussão sobre o patrimônio bloqueado. Uma decisão anterior, de 18 de agosto de 2026, havia determinado que os pedidos de devolução fossem apresentados em procedimentos próprios. Na mesma decisão, a juíza arquivou o procedimento de busca e apreensão porque as medidas já haviam sido cumpridas e os relatórios e mídias entregues.

Nova fase da Operação Dirty Pix

Nesta quarta-feira, Jacob voltou a ser preso preventivamente, por tempo indeterminado, na segunda fase da Dirty Pix. Também foram presos a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o assessor político Júlio César Alves da Silva.

A operação teve três mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. Mandados foram cumpridos nas empresas Global, de produtos agrícolas, e Fendt, de máquinas agrícolas, ligadas a Jacob. O escritório e a residência da contadora Rosângela Zanetti também foram alvos.

A investigação é conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Desvios em convênios passam de R$ 18 milhões

Na primeira fase, o Ministério Público apontou desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados à compra de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave hospitalar. Segundo a investigação, o esquema envolvia a administração do hospital e a empresa fornecedora, que também teria pago vantagens indevidas a vereadores.

O dinheiro era transferido diretamente aos destinatários ou passava por contas de terceiros, por meio de Pix. A apuração apontou pagamentos de até R$ 100 mil de uma só vez a vereadores da oposição em 2022. Com o aprofundamento, os investigadores identificaram indícios de reprodução do esquema em outros convênios da entidade.

Os recursos eram usados para compra de equipamentos e materiais hospitalares, UTI móvel e execução de reformas. Os valores dos convênios investigados ultrapassam R$ 18 milhões. Segundo a investigação:

  • Planos de trabalho continham informações fraudulentas;
  • Bens e serviços eram superfaturados;
  • Contratações eram direcionadas a empresas previamente alinhadas ao grupo.

Depois que o dinheiro chegava às contas da entidade, parte dos recursos teria sido desviada e redistribuída por sucessivas movimentações financeiras a agentes políticos, articuladores e intermediários. Os investigadores também apontaram o uso do poder financeiro do grupo para obstruir as apurações.

Na cobertura da operação desta quarta-feira, ninguém no hospital quis falar com a imprensa. O espaço segue aberto para as manifestações dos citados.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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