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Após Carlo Acutis, padre João Crippa pode ser o 2º santo ligado a MS

Arquidiocese de Campo Grande abre inquérito no dia 20 de outubro para beatificação do padre João Crippa, salesiano que atuou em MS.

09/10/2026 às 15:42
3 min de leitura
Busto do Padre João Crippa, no interior da Igreja São José, em Campo Grande, onde fiéis registram graças alcançadas atribuídas a ele (Foto: Paulo Francis)

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A Arquidiocese Metropolitana de Campo Grande marcou a abertura solene do inquérito diocesano para 20 de outubro. O processo pode levar à beatificação do padre salesiano João Crippa. A cerimônia será na Paróquia São José, no Centro da Capital, onde estão os restos mortais do religioso.

O procedimento é uma das primeiras etapas da investigação da Igreja. Serão analisadas a vida, as virtudes e a fama de santidade do padre. Caso o processo avance, Mato Grosso do Sul pode registrar o segundo nome ligado à santidade.

Em setembro de 2025, Carlo Acutis foi canonizado. A Igreja reconheceu um milagre atribuído ao jovem italiano pela cura de Matheus Vianna. A cura ocorreu em Campo Grande em 2013.

Quem foi o padre João Crippa?

João Crippa nasceu em 10 de outubro de 1861, em Asso, na Lombardia, norte da Itália. Filho de Pietro Crippa e Fiorina Bucconi, ingressou aos 24 anos na vida salesiana. No Colégio São João Evangelista, em Turim, teve contato com Dom Bosco, fundador da congregação.

O religioso chegou à América entre 1888 e 1889. Em 1890, recebeu a veste religiosa no Uruguai. Foi ordenado sacerdote em 17 de fevereiro de 1894. Em junho do mesmo ano, assumiu a Paróquia São Gonçalo do Porto, em Cuiabá. Participou das missões salesianas com os indígenas Bororo. Na época, o atual Mato Grosso do Sul ainda integrava o território mato-grossense.

  • Nascimento: 10 de outubro de 1861, em Asso, na Itália.
  • Ordenação: 17 de fevereiro de 1894.
  • Morte: 1º de agosto de 1941, em Três Lagoas.

Legado em Campo Grande

Antes de se estabelecer na Capital, João Crippa percorreu diferentes localidades de Mato Grosso. Segundo a biografia escrita por Arnaldo Rodrigues Menecozi, ele viajava a cavalo por grandes distâncias. Visitava povoados, famílias e comunidades sem atendimento religioso. A obra foi publicada pelo IHGMS.

Em Campo Grande, o padre organizou uma comissão para criar o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. A instituição se tornou referência na educação local. Em 1925, comprou os dois primeiros terrenos para a construção do Oratório São José, conhecido como Capelinha.

O espaço funcionava como ponto de encontro religioso e de atendimento à população mais pobre. Durante o dia, havia atividades educativas para crianças. À noite, alfabetização de adultos. Aos domingos, recebia jovens para celebrações, catequese e lazer.

João Crippa defendia a construção de uma igreja maior dedicada a São José. “Para nós é suficiente qualquer barraco, mas para Deus não deve ser assim!”, costumava dizer. Ele morreu em 1º de agosto de 1941, em Três Lagoas, aos 79 anos. A atual Igreja São José foi construída depois. Os restos mortais do padre estão guardados no templo. No local, há um busto e registros de graças alcançadas.

Como funciona o processo de beatificação

A possibilidade de reconhecer a santidade de João Crippa ganhou força em março de 2024. Na ocasião, o cardeal Ángel Fernández Artime, então reitor-mor dos salesianos, visitou o mausoléu do padre. Ele conversou sobre a abertura do processo.

Com o inquérito diocesano, a trajetória do religioso será examinada conforme as regras da Igreja Católica. O procedimento envolve a coleta de documentos e testemunhos. O objetivo é avaliar se há fundamentos para o reconhecimento das virtudes heroicas. Se a investigação avançar, o material pode ser encaminhado ao Vaticano.

  • Inquérito diocesano: reúne documentos e testemunhos sobre a vida do padre.
  • Virtudes heroicas: análise da fama de santidade do religioso.
  • Milagre: a beatificação exige um; a canonização exige outro.
  • Vaticano: avalia o material enviado pela arquidiocese.

Foi esse caminho que levou Carlo Acutis aos altares. O jovem, morto em 2006 aos 15 anos, teve um milagre reconhecido pela cura de um garoto de Campo Grande. A Igreja reconheceu outro milagre na recuperação de uma jovem na Itália.

Cerimônia é aberta à comunidade

A abertura solene do inquérito está marcada para 20 de outubro, das 18h às 18h40, na Paróquia São José. O endereço é Rua Pedro Celestino, 1.446, no Centro de Campo Grande. A sessão contará com a presença do postulador da causa, doutor Paolo Vilotta, de Roma.

Às 19h, será celebrada uma missa em ação de graças. A celebração será presidida pelo arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa. Também participa Dom André Alves dos Santos, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia. A programação é aberta à comunidade.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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