Golpe proibido deixa lutador de jiu-jítsu paraplégico em campeonato
Willian Kabuto Hiroyuki sofreu um 'bate-estaca' durante luta em Londrina (PR) e perdeu os movimentos do pescoço para baixo.
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O lutador Willian Kabuto Hiroyuki disputava a categoria absoluta do campeonato em Londrina, no Paraná, quando o adversário Juliano Di Pelli Machado aplicou o golpe. A categoria absoluta permite duelos entre atletas de diferentes pesos.
Kabuto teve luxação entre a quinta e a sexta vértebra cervical, com compressão do canal medular e lesão grave na medula. Ele perdeu os movimentos do pescoço para baixo. Após semanas internado, ele retornou para casa e agora faz fisioterapia com profissionais de saúde.
O que é o golpe bate-estaca?
O bate-estaca é um movimento em que um atleta levanta o oponente preso na sua guarda e o arremessa ou o deixa cair com força contra o solo. O lutador de baixo fica com a cabeça ou o pescoço voltados para baixo, sujeito a ter o corpo do adversário projetado sobre si.
A prática é proibida no jiu-jítsu e considerada falta grave. O risco de lesões é o motivo da proibição:
- Coluna cervical: o impacto pode causar fraturas e luxações graves.
- Traumatismo craniano: a cabeça pode atingir o solo com violência.
- Paralisia: lesões na medula podem deixar o atleta paraplégico, como ocorreu com Kabuto.
Investigação aponta dolo eventual
O promotor Renato Castro, também praticante do esporte, noticiou o caso à polícia. Para ele, o comportamento “é criminoso”. O delegado Roberto Fernandes afirmou que dez testemunhas foram ouvidas. Nove delas disseram que o golpe sofrido por Kabuto é proibido.
“Ele correu o risco de praticar uma lesão séria, o que a doutrina chama de dolo eventual”, disse o delegado à TV Globo.
A organização do torneio afirma que seguia as regras da CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu) e que o árbitro não teria como prever e evitar a situação.
O que diz o adversário?
Juliano Di Pelli Machado se pronunciou nas redes sociais. Ele disse que não teve “tempo de fazer muita coisa” na situação.
“O cara me abraçou por baixo da minha perna e eu, no intuito de defender algo ali, botei o joelho pro chão e o cara estava embaixo de mim e eu não percebi. Não deu tempo de fazer muita coisa”, afirmou.
O atleta já foi investigado anteriormente por outra agressão. Em 2016, ele foi condenado ao pagamento de danos morais por “dar um tapa no rosto e aplicar uma gravata” em uma mulher.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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