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Idosos cuidam dos netos e buscam tempo para si em Campo Grande

Idosos de Campo Grande seguem com a rotina cheia de cuidados com netos e ainda encontram no Instituto Aciesp espaço para atividades próprias.

12/10/2026 às 09:31
3 min de leitura
Idosos participantes do Instituto Aciesp em Campo Grande conciliam cuidados com a família e atividades para si
Idosos reunidos em atividade oferecida pelo  Instituto Aciesp em Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

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No bairro Aero Rancho, o Instituto Aciesp (Instituto de Apoio, Capacitação, Instrução e Economia Solidária do Povo) reúne idosos que seguem com a rotina de cuidados com a família, mas também reservam tempo para atividades próprias.

Cuidado com netos marca rotina de avós

Luiz Andrade de Oliveira, 66 anos, é aposentado e convive com sequelas de um acidente de trabalho ocorrido em 2011, quando atuava como eletricista. Usa muleta para caminhar, dirige e participa das atividades do Instituto Aciesp cerca de quatro vezes por semana.

O casal cria um neto autista de 9 anos, que Luiz leva diariamente à escola. A esposa enfrenta problemas de saúde e está sem benefício. A casa também acolhe temporariamente uma filha e o bebê dela no pós-parto; quando ela retomar o trabalho, os avós devem cuidar da criança.

Segundo Luiz, os filhos contribuem com as despesas das crianças e ajudam quando necessário. Ainda assim, ele afirma que o orçamento é apertado:

  • Medicamentos: toma de 6 a 8 comprimidos por dia e precisa comprar parte deles.
  • Saúde: em algumas situações, a família paga consultas e exames.
  • Alimentação: a distribuição de alimentos feita pela instituição ajuda em casa.

No Instituto Aciesp, Luiz canta no coral, participa de exercícios, pinta e se diverte com amigos.

Agenda de idosa inclui marido e neta

Maria Isabel Lopez Figueiredo, 69 anos, participa das atividades quando os compromissos de saúde da família permitem. O marido, de 72 anos, teve AVC e ficou com mobilidade limitada; em alguns períodos, ela precisa ajudá-lo no banho e na alimentação.

A neta de 13 anos mora com os avós desde o nascimento e faz tratamento psicoterápico na rede pública. “Quando eu falto aqui é porque estou levando um deles no médico”, explica Maria Isabel.

Paraguaia, ela chegou ao Brasil em 1978 e vive em Campo Grande há cerca de 24 anos. Depois de anos com a rotina concentrada em casa, decidiu participar das atividades da instituição:

  • Inclusão digital: quer entender melhor o celular, que usa para ligações e conversas com os filhos.
  • Crochê: retomou o artesanato.
  • Movimento: participa de atividades físicas.

Maria Isabel e o marido recebem o BPC (Benefício de Prestação Continuada), mas empréstimos comprometem parte da renda. Há também uma dívida relacionada a um MEI (Microempreendedor Individual) aberto pela filha em seu nome e que permaneceu sem encerramento.

Moradias construídas com o próprio trabalho

Nilda Helena Pereira, 68 anos, mora sozinha e construiu pequenas moradias destinadas ao aluguel no mesmo terreno onde vive. Ela foi pedreira e servente e calcula que levou cerca de duas décadas para concluir o conjunto.

Durante cerca de 10 anos, acolheu uma filha e os netos em casa quando a moradia ainda não tinha piso nem todas as portas e janelas. “Já ajudei o que eu podia vocês”, diz ao recordar o que fala às filhas.

Hoje, Nilda combina a renda irregular dos aluguéis com benefício assistencial, reciclagem e artesanato. Reconhece que as filhas têm as próprias famílias e quer continuar conduzindo a vida.

Instituto Aciesp oferece escuta e atividades para 73 idosos

A coordenadora de projetos, Josiane Delmondes, afirma que o cuidado com filhos e netos é frequente entre os participantes. O Instituto Aciesp tem 73 idosos cadastrados e recebe, em geral, de 35 a 40 por dia.

A presença varia conforme consultas médicas e compromissos domésticos. Muitos idosos chegam encaminhados por unidades de saúde ou pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).

Entre as atividades oferecidas estão:

  • Coral e ginástica na cadeira;
  • Rodas de conversa e artesanato;
  • Inclusão digital e atendimento psicológico.

A assistente social Rosilene dos Santos ajuda os idosos a usar o celular, preencher formulários e buscar atendimento na rede de serviços. Segundo ela, alguns participantes reclamam que sustentam a casa, mas não encontram tempo disponível dos familiares para ajudá-los nessas tarefas. Também aumentou a procura por atendimento psicológico.

O Instituto Aciesp fica na Rua Inocência M. dos Santos, 45, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. A instituição atende mulheres vítimas de violência, crianças e idosos, e oferece cursos profissionalizantes. Mais informações podem ser conferidas pelo perfil no Instagram ou pelo telefone (67) 99220-2525.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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