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MS amplia conscientização sobre cuidados paliativos com semana estadual

Lei 5.922/2022 institui semana de conscientização sobre cuidados paliativos em Mato Grosso do Sul, que ocorre anualmente em outubro.

13/10/2026 às 09:16
3 min de leitura

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Mato Grosso do Sul conta com a Semana Estadual de Cuidados Paliativos, instituída pela Lei 5.922 de 11 de julho de 2022, de autoria do deputado Zé Teixeira (PL). A iniciativa integra o calendário oficial do estado e ocorre anualmente na semana que compreende o segundo sábado de outubro. O objetivo é ampliar a conscientização sobre essa forma de assistência, que vai além do tratamento curativo.

O que são cuidados paliativos?

Segundo a médica Rosângela Silva Rigo, nefrologista e profissional de cuidados paliativos do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), trata-se de uma assistência ativa e integral voltada a pessoas com doenças graves, progressivas ou que ameaçam a continuidade da vida. O foco está no bem-estar e na qualidade de vida, considerando aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais.

  • Controle de sintomas: dor, falta de ar, náusea, fadiga e alterações do sono.
  • Suporte à família: durante o tratamento e no processo de luto.
  • Início precoce: desde o diagnóstico, simultaneamente aos tratamentos curativos.

Tratamento contínuo e não desistência

A cardiologista e médica paliativista Camila Natera Torres, coordenadora da Rede do Abraço da Unimed Campo Grande, destaca que os cuidados paliativos não significam desistência. “Hoje, o cuidado pode caminhar junto com o tratamento da doença, buscando reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida”, explica. A Rede do Abraço oferece assistência hospitalar e domiciliar, com encaminhamento pelo médico responsável.

História real: Luiza e o impacto da DPOC

Luiza da Silva Araújo, 62 anos, vive com DPOC grave em estágio 4 e fibrose pulmonar idiopática. Dependente de oxigênio suplementar, teve a rotina completamente alterada. A irmã Maura da Silva Araújo relata os desafios diários: medicamentos, controle da saturação e uso contínuo de concentrador de oxigênio. Apesar das limitações, Luiza mantém vínculos com crochê, bijuterias e visitas familiares.

A importância do apoio psicológico

A psicóloga Jéssica Wunder ressalta que receber um diagnóstico grave provoca medo e incertezas. O acompanhamento psicológico oferece escuta e acolhimento para paciente e familiares, ajudando a lidar com emoções e mudanças. “Não se trata de negar a gravidade, mas reconhecer que a vida continua merecendo cuidado com presença e respeito”, afirma.

Desafios e acesso aos cuidados paliativos

Segundo a OMS, apenas uma parcela das pessoas que necessitam desse tipo de assistência consegue recebê-la. No Brasil, a oferta de serviços especializados está abaixo do recomendado. Entre os desafios estão a capacitação profissional, combate à desinformação e desigualdades regionais. A Semana Estadual busca justamente ampliar o debate e combater preconceitos.

Mudança de perspectiva

Cuidados paliativos representam uma mudança de olhar: o paciente não se resume à doença, e a qualidade de vida, autonomia e dignidade continuam fazendo sentido. A lei reforça que cuidar não é desistir, mas sim acolher e garantir o melhor possível para cada pessoa.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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