MP aponta ‘gordura’ e ‘sede’ por verba em obra de R$ 10 milhões
Diálogos indicam suspeita de superfaturamento e desvio em reforma de hospital em Sidrolândia financiada pela Itaipu.
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Uma obra de quase R$ 10 milhões despertou suspeitas de superfaturamento e desvio de verbas, segundo o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). As investigações apontam que a reforma e ampliação do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, teve orçamento inicial de R$ 1,13 milhão e foi inflado até alcançar o valor do financiamento público de R$ 8,5 milhões da Itaipu Binacional.
Orçamento ‘ajustado’ ao financiamento
Conforme o Ministério Público, os custos foram manipulados para coincidir com os recursos pretendidos. Em outubro de 2023, o então presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, já articulava R$ 8,5 milhões. Em dezembro, a planilha final atingiu exatos R$ 8.555.720,52, valor considerado suspeito pelos promotores.
- Orçamento inicial: R$ 1.130.481,16 (elaborado pelo arquiteto Valdecir Ribeiro Nogueira).
- Segunda versão: R$ 2.598.543,92 (feita em menos de um dia a pedido de Jacob).
- Versão final: R$ 8.555.720,52, alinhada com o valor da Itaipu.
‘Itens que têm gordura’
Em mensagens obtidas pelo Gecoc, o engenheiro Lucas Marques Nunes usa a expressão “itens que têm gordura” ao se referir a despesas que poderiam ser reduzidas durante a execução, mantendo valores maiores nas planilhas. Para os promotores, a diferença seria desviada pelos envolvidos. A troca de mensagens mostra que Lucas foi orientado a ajustar o orçamento para R$ 8,5 milhões, mesmo após afirmar que a planilha havia alcançado R$ 9 milhões.
‘Sede’ por verba e propina
Quando os recursos começaram a ser liberados, em agosto de 2024, o ex-assessor parlamentar Sérgio Roberto Castilho Vieira, conhecido como Serginho, demonstrou ansiedade. Em diálogo com Jacob, ele pergunta: “Não vai avisar que tá com a grana?”. O presidente responde: “Kkkkkk. Tha com sede. Né”. Serginho confirma: “Tô com sede”. Para o MP, ele atuava como operador financeiro, recebendo propina.
Documentos indicam que R$ 290 mil em notas fiscais (R$ 210 mil do hospital e R$ 80 mil da Global Produtos Agropecuários, empresa de Jacob) seriam a propina para Serginho. A investigação também aponta que despesas com projetos eram pagas por empresas particulares de Jacob para não aparecer na contabilidade da Itaipu.
Intermediação e propina de 10%
O empresário Hélio Carrilho Modesto Junior teria facilitado reunião com a Itaipu. Em conversa, o engenheiro Lucas menciona “10% de 8 milhões”, o que corresponderia a R$ 800 mil em propina. O MP, porém, não confirma se o valor foi pago.
Obra entregue, mas suspeitas persistem
A reforma foi entregue em 9 de dezembro de 2025, com investimento total de R$ 10 milhões. Durante a execução, Jacob lamentou não ter conseguido R$ 1,5 milhão extras em emendas. Lucas informou que o saldo real era R$ 3,5 milhões, e não R$ 4,5 milhões, reforçando suspeitas de diferença entre custos apresentados e serviços executados.
Jacob foi preso preventivamente na segunda fase da Operação Dirty Pix. Ele nega irregularidades. Os demais investigados (Lucas, Sérgio e Hélio) não se manifestaram até o fechamento da reportagem. A Itaipu também não respondeu.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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