Operação Capolinea mira investigado por tráfico solto por desembargador
Operação Capolinea cumpre mandado contra investigado por tráfico internacional que chegou a ser solto por um desembargador.
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A FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) cumpriu na quinta-feira (15) um novo mandado de prisão contra Gerson Palermo, investigado por ligação com o tráfico internacional de drogas. Ele já estava preso. A ação integra a Operação Capolinea, que apura uma organização criminosa responsável pelo transporte de entorpecentes da Bolívia para o Brasil.
Conforme o Campo Grande News, a operação também prendeu Aguinaldo Chaleira, conhecido como Sumatra, e um homem suspeito de envolvimento no sequestro de uma sobrinha de Palermo.
Vigilante é suspeito de repassar informações
Outro alvo é um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. A investigação aponta que ele colaborava com a organização criminosa e repassava informações internas sobre a rotina da unidade, a presença de equipes policiais e a situação de presos. Ele também enviava fotografias de apreensões e documentos produzidos dentro da delegacia.
Palermo e Aguinaldo Chaleira estavam na Bolívia e foram presos no país antes de as autoridades brasileiras recebê-los. Chaleira é apontado como integrante de uma família ligada ao tráfico de drogas.
Histórico: soltura em plantão e fuga
Gerson Palermo também é investigado na Operação Tiradentes, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro de 2024. O caso apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades na concessão de decisões judiciais.
Em abril de 2020, durante o plantão do feriado de Tiradentes, o então desembargador Divoncir Schreiner Maran concedeu prisão domiciliar a Palermo, que cumpria pena por tráfico de drogas. A decisão previa o uso de tornozeleira eletrônica e foi revogada no dia seguinte. Palermo rompeu a tornozeleira e fugiu.
A investigação aponta suspeita de que a decisão tenha sido dada em troca de vantagem indevida, além de possíveis movimentações financeiras suspeitas envolvendo familiares do magistrado. O caso resultou no afastamento de Divoncir do cargo.
Líder escondido na Bolívia havia seis anos
Segundo a Operação Capolinea, o principal líder da organização criminosa estava escondido na Bolívia havia cerca de seis anos, depois de receber um habeas corpus concedido durante um plantão do Tribunal de Justiça. Os investigados podem responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa.
O nome Capolinea significa “fim da linha”, em italiano, e faz referência à intenção de interromper a atuação do principal investigado e a rota de transporte de drogas explorada pelo grupo.
Drogas escondidas em minério e pneus
A organização criminosa transnacional escondia drogas em cargas de minério de ferro, pneus, tanques de combustível de caminhões e carregamentos de grãos. O grupo transportava entorpecentes da Bolívia pela fronteira de Corumbá com Puerto Quijarro e distribuía as cargas para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Em Mato Grosso do Sul, os mandados são cumpridos no Jardim Jacy e no Jardim Vida Nova, em Campo Grande, e na zona rural de Jaraguari. A operação também ocorre em São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Até o momento, dois alvos foram presos e um revólver calibre .32 foi apreendido; um terceiro investigado não foi encontrado no endereço.
Números da Operação Capolinea
- Policiais envolvidos: cerca de 100
- Mandados de busca e apreensão: 20
- Mandados de prisão preventiva: 14
- Mandados de prisão temporária: 7
- Bloqueio de bens: R$ 24 milhões
- Interpol: três investigados no exterior entraram na Difusão Vermelha
Investigação começou com apreensão na BR-262
A investigação começou após uma apreensão da Polícia Rodoviária Federal em 13 de agosto de 2025, na BR-262, em Três Lagoas. Em um caminhão Scania/T113, os policiais encontraram cerca de 35 quilos de cocaína e 12 quilos de maconha dentro de pneus estepes que estavam soltos das rodas.
O motorista afirmou que recebeu os pneus em Corumbá e os levaria até Bauru, no interior de São Paulo. O filho dele viajava como passageiro e disse desconhecer o transporte das drogas.
A análise do celular apreendido com um dos principais operadores do esquema, escondido na Bolívia, permitiu identificar a estrutura da organização. Segundo a Polícia Federal, o grupo negociou cerca de 24 toneladas de drogas durante o período analisado.
Para facilitar a passagem dos caminhões sem fiscalização, os criminosos aliciavam funcionários de mineradoras, incluindo supervisores e operadores de balança, com pagamentos por Pix. O vigilante preso também é suspeito de guardar drogas em casa e transportar entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil, inclusive a carga apreendida em Três Lagoas.
As informações são do Campo Grande News.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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