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ESTADO

Palermo abandona aviões e usa minério de ferro para traficar cocaína

Operação Capolinea aponta que Gerson Palermo trocou aeronaves por caminhões de minério para ocultar 24 toneladas de drogas.

15/10/2026 às 20:10
3 min de leitura
Gerson Palermo em operação da PF; esquema de tráfico com minério de ferro é investigado
Gerson Palermo deixando Fórum de Campo Grande no dia 28 de maio, rumo ao presídio federal da Capital (Foto: Juliano Almeida/Arquivo)

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Nove anos após ser alvo da Operação All In, Gerson Palermo volta ao centro de uma investigação sobre tráfico internacional de drogas na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia. A rota é a mesma, mas a logística mudou. A Operação Capolinea, deflagrada nesta quinta-feira (15), revela que o esquema agora usa caminhões carregados com minério de ferro para esconder entorpecentes.

Mudança de estratégia no transporte de drogas

Na All In, deflagrada em 2017, o grupo utilizava aeronaves e carretas. O aeródromo de Ocorema, em Ladário, era a base para operações aéreas. Agora, a Capolinea aponta que a organização aproveita o movimento de veículos de minério para dificultar a identificação dos carregamentos ilegais.

A nova investigação estima a negociação de aproximadamente 24 toneladas de drogas. A Justiça Federal expediu 21 mandados de prisão, sendo 14 preventivas e sete temporárias, além de 20 mandados de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio de R$ 24 milhões em bens dos investigados.

Esquema antigo usava aviões e carretas

Há quase dez anos, a PF identificou uma organização que comprava cocaína na Bolívia e distribuía a droga em Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Palermo era o chefe, responsável por negociar, organizar o transporte e administrar os recursos. O esquema utilizava aeronaves, caminhões e carretas registrados em nome de terceiros.

As investigações resultaram em duas grandes apreensões em 2016:

  • 27 de abril: 504 quilos de cocaína encontrados em Cubatão (SP)
  • 25 de setembro: 306 quilos apreendidos na cidade de São Paulo

No segundo caso, a droga foi transportada por aeronave e depois escondida na estrutura de uma carreta. O grupo tinha pessoas dedicadas à organização dos veículos, preparação de compartimentos ocultos e deslocamento dos carregamentos. A estratégia de registrar veículos em nome de terceiros ajudava a ocultar o patrimônio de Palermo.

Palermo foi condenado em fevereiro de 2019 a 59 anos, 9 meses e 1 dia de prisão por tráfico internacional, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A sentença foi mantida pela 5ª Turma do TRF3.

Logística com minério de ferro e corrupção

Na Capolinea, o transporte rodoviário é peça-chave, mas com nova forma de ocultação. Além de minério, a apuração identificou o uso de pneus, tanques de combustível e carregamentos de grãos para transportar drogas. Os destinos incluíam Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

Para viabilizar o esquema, integrantes da organização aliciaram funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança. Os pagamentos, inclusive via Pix, facilitavam a passagem dos veículos sem fiscalização. Outro suspeito é um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. Preso durante a operação, ele teria repassado informações sobre a rotina da unidade, movimentação de policiais e operações em andamento. O vigilante é enteado de um dos líderes da organização.

Fuga e recaptura de Palermo

Entre as duas operações, Palermo passou por uma fuga que durou aproximadamente seis anos. Em 2020, ele obteve prisão domiciliar por decisão do então desembargador Divoncir Schreiner Maran, do TJMS. O benefício foi revogado no dia seguinte, mas Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. A decisão judicial passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades.

Ele permaneceu foragido até maio deste ano, quando foi localizado e preso na Bolívia. Mesmo detido, voltou a ser alvo de mandado de prisão na Operação Capolinea.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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