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ESTADO

PF prende vigilante por repassar informações ao tráfico de drogas

PF prendeu nesta quinta-feira um vigilante suspeito de integrar esquema que enviava drogas da Bolívia para o Brasil.

15/10/2026 às 08:38
3 min de leitura
Vigilante da Polícia Federal em Corumbá é preso por repassar informações a quadrilha de tráfico de drogas.
Agentes da Polícia Federal e da Guarda Civil Metropolitana durante diligências em uma residência na Vila Jacy, em Campo Grande (Foto: Divulgação/PF)

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PF prendeu nesta quinta-feira um vigilante suspeito de integrar esquema que enviava drogas da Bolívia para o Brasil.

O preso trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. Ele é suspeito de repassar informações internas à organização criminosa investigada.

Segundo a investigação, o homem é enteado de um dos líderes do grupo. Ele teria informado a rotina da unidade, a presença de equipes policiais e a situação de presos. Também enviou fotos de apreensões e documentos produzidos dentro da delegacia.

Operação Capolinea cumpre 21 mandados de prisão

A FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) deflagrou a Operação Capolinea. O objetivo é desarticular uma organização criminosa transnacional. Segundo as investigações, o grupo negociou cerca de 24 toneladas de drogas no período analisado.

Em Mato Grosso do Sul, policiais cumprem mandados no Jardim Jacy e no Jardim Vida Nova, em Campo Grande. Também há cumprimentos na zona rural de Jaraguari. A operação também ocorre em São Paulo, Goiás e Minas Gerais. As diligências contam com policiais federais e agentes da Guarda Civil Metropolitana.

Ao todo, cerca de 100 policiais cumprem os mandados. Até o momento, a operação registra:

  • Presos: dois alvos
  • Revólver apreendido: calibre .32
  • Mandados de busca e apreensão: 20
  • Mandados de prisão: 21, sendo 14 preventivos e 7 temporários
  • Sequestro e bloqueio de bens: R$ 24 milhões

Um terceiro investigado procurado no Jardim Jacy não foi encontrado no endereço. A Justiça também autorizou o sequestro e o bloqueio de bens no valor de R$ 24 milhões. A 1ª Vara Federal de Corumbá expediu os mandados.

Investigação começou após apreensão na BR-262

As apurações começaram depois de uma apreensão da PRF (Polícia Rodoviária Federal). O caso ocorreu em 13 de agosto de 2025, na BR-262, em Três Lagoas.

Durante a fiscalização de um caminhão Scania/T113, os policiais notaram que os pneus estepes estavam soltos das rodas. Dentro deles, havia aproximadamente 35 quilos de cocaína e 12 quilos de maconha.

O motorista disse que recebeu os pneus em Corumbá e os levaria até Bauru, no interior de São Paulo. O filho dele viajava como passageiro e afirmou não saber do transporte dos entorpecentes.

A análise do celular apreendido com um dos principais operadores do esquema ajudou a aprofundar as apurações. Ele estava escondido na Bolívia. A análise também permitiu identificar a estrutura da organização.

Esquema escondia drogas em cargas de minério e pneus

Segundo a Polícia Federal, o grupo usava caminhões que transportavam minério de ferro para levar drogas da Bolívia ao Brasil. A região de Corumbá, na fronteira com Puerto Quijarro, tem intenso movimento de cargas.

Para facilitar a passagem sem fiscalização, os criminosos aliciavam funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança. Os criminosos pagavam por Pix.

  • Transporte: caminhões de minério de ferro
  • Esconderijos: pneus, tanques de combustível e cargas de grãos
  • Destinos: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais

Polícia Federal aponta papel do vigilante no esquema

A investigação também aponta o vigilante preso como responsável por guardar drogas em casa. Ele teria transportado entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil, inclusive a carga apreendida em Três Lagoas.

As investigações apontam que o principal líder da organização estava escondido na Bolívia havia cerca de seis anos. Ele teria sido beneficiado por um habeas corpus concedido durante um plantão do Tribunal de Justiça.

A Justiça Federal autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol. O mecanismo permite localizar e prender procurados internacionalmente.

Investigados podem responder por tráfico internacional

Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa.

O nome Capolinea significa “fim da linha”, em italiano. O termo remete ao objetivo de interromper a atuação do principal investigado e a rota de transporte usada pelo grupo.

As diligências continuam em andamento. A Polícia Federal deve divulgar o balanço final das prisões e dos materiais apreendidos ao término da operação.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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