47,9% das meninas brasileiras já fazem tarefas domésticas, mostra IBGE
Levantamento do IBGE aponta que quase metade das meninas de 5 a 17 anos realiza afazeres domésticos no país, ante 36,6% dos meninos.
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No Brasil, 47,9% das meninas de 5 a 17 anos realizavam tarefas domésticas ou cuidavam de outras pessoas sem remuneração em 2025. Entre os meninos da mesma faixa etária, o percentual era de 36,6%. Os dados fazem parte da PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (16).
A diferença de 11,3 pontos percentuais entre gêneros é um dos destaques do levantamento. Ao todo, 15,9 milhões de brasileiros de 5 a 17 anos, equivalentes a 42,1% da população dessa faixa etária, realizavam pelo menos uma dessas atividades.
As atividades incluem tarefas domésticas e cuidados de pessoas, mas não devem ser confundidas automaticamente com trabalho infantil. A classificação depende de fatores como idade, natureza das tarefas, intensidade e possíveis prejuízos ao desenvolvimento.
Participação cresce conforme a idade
Entre crianças de 5 a 13 anos, 32,7% realizavam afazeres domésticos ou cuidados de pessoas. O percentual sobe para 60,7% na faixa de 14 e 15 anos e chega a 64,6% entre adolescentes de 16 e 17 anos.
A carga horária dedicada a essas atividades também varia. Confira os dados:
- Até 14 horas semanais: 86,5% dos que realizavam tarefas domésticas ou cuidados.
- Entre 15 e 24 horas: 8,4% do total.
- Adolescentes de 16 e 17 anos: 13,3% dedicavam de 15 a 24 horas semanais, e 9,2% destinavam 25 horas ou mais.
Trabalho fora não elimina tarefas domésticas
O levantamento mostra que exercer atividade econômica não isenta a rotina doméstica. Entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que trabalhavam, 65,1% também realizavam afazeres domésticos ou cuidados. Entre os que não exerciam atividade econômica, a proporção era de 41,2%.
Na faixa de 5 a 13 anos, a diferença é ainda maior: 74,3% das crianças em atividade econômica também cuidavam da casa ou de pessoas, ante 32,5% das que não trabalhavam. Entre a população em situação de trabalho infantil, 67,9% acumulavam as duas responsabilidades.
Dos 15,9 milhões de crianças e adolescentes que desempenhavam afazeres em casa ou para familiares, cerca de 944 mil também exerciam atividades econômicas.
IBGE mudou metodologia da pesquisa
O IBGE reformulou em 2025 as perguntas sobre trabalho doméstico não remunerado e cuidados. As mudanças envolveram redação, ordem dos quesitos e forma de registrar o tempo dedicado às atividades.
Por isso, o instituto alerta que os resultados não devem ser comparados diretamente aos de anos anteriores sem considerar a nova metodologia. Os números ajudam a dimensionar a participação de crianças e adolescentes nas responsabilidades domésticas, mas não permitem concluir que todas essas atividades representem exploração ou trabalho infantil.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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