OMS aprova inclusão de feminicídio na classificação internacional de doenças
Organização Mundial da Saúde aprovou proposta brasileira para identificar feminicídios na CID-11.
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A OMS (Organização Mundial da Saúde) aprovou, na quinta-feira (15), uma proposta do Ministério da Saúde do Brasil para incluir feminicídios e outras formas de violência de gênero na CID-11 (Classificação Internacional de Doenças). A decisão foi tomada durante reunião internacional em Sydney, na Austrália.
Objetivo da mudança
A nova classificação pretende diferenciar mortes de mulheres motivadas por discriminação ou ódio de casos registrados apenas como agressões. A mudança visa tornar mais precisos os registros dos serviços de saúde, que nem sempre identificam as circunstâncias relacionadas à violência contra a mulher.
Com a classificação específica, será possível acompanhar essas ocorrências nas estatísticas de mortalidade e reunir informações para orientar medidas de prevenção.
Contexto brasileiro
Segundo o Ministério da Saúde, mulheres em situação de violência frequentemente procuram atendimento por consequências físicas, sexuais ou psicológicas. Registros mais detalhados poderão ajudar a reconhecer esse histórico e identificar situações que exigem acompanhamento.
- CID: utilizada internacionalmente para padronizar informações sobre doenças, condições de saúde e causas de morte
- Inclusão: não significa que feminicídio será tratado como doença, mas sim que a motivação de gênero será identificada nos registros
Próximos passos
A proposta foi aprovada durante a reunião da Família de Classificações Internacionais da OMS. O documento final com as orientações técnicas deverá ser publicado após o encerramento das discussões, previsto para sábado (17). Ainda não há data para a nova classificação começar a ser usada pelos serviços de saúde.
Feminicídio em Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição nacional na taxa de feminicídios, segundo o relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil (2021-2025), do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). No ano passado, o Estado registrou 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres, índice superior à média brasileira (1,43). Acre, Rondônia e Mato Grosso apresentaram taxas maiores.
Os 27 casos contabilizados em 2026 constam do levantamento consultado pelo Campo Grande News. O mesmo balanço, baseado em informações da Sejusp, apontava 84 tentativas de feminicídio neste ano. Em 2025, foram 88 tentativas e 39 mortes.
Campo Grande teve sete vítimas em 2025, das quais apenas uma possuía medida protetiva. A jornalista Vanessa Ricarte, morta em fevereiro daquele ano, havia procurado a polícia para denunciar agressões e ameaças antes do crime.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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