Um em cada cinco adolescentes em trabalho infantil não estuda
Levantamento do IBGE revela que 20% dos jovens de 16 e 17 anos que trabalham estão fora da escola, além de enfrentarem jornadas extensas e ocupações perigosas.
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Dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (16) mostram que, em 2025, apenas 79,6% dos adolescentes de 16 e 17 anos em situação de trabalho infantil frequentavam a escola. O índice é dez pontos percentuais menor que o registrado entre todos os brasileiros da mesma faixa etária (89,6%). A diferença é a maior entre as faixas analisadas pela PNAD Contínua.
Frequência escolar cai entre os mais velhos
Entre crianças de 5 a 13 anos, a frequência escolar ultrapassava 99%, tanto na população geral quanto entre as que trabalham. Na faixa de 14 e 15 anos, os percentuais eram de 98,1% e 95%, respectivamente. Considerando todas as idades de 5 a 17 anos, 86,9% das crianças e adolescentes em trabalho infantil estudavam, contra 97,5% da população total.
Jornadas extensas afetam quase metade dos jovens
O levantamento aponta que 21,4% das crianças e adolescentes em trabalho infantil tinham jornadas de 40 horas ou mais por semana. Entre os jovens de 16 e 17 anos, esse percentual chegava a 29,6%. Outros 20% trabalhavam entre 25 e 39 horas, somando quase metade dos adolescentes com carga horária semanal de pelo menos 25 horas.
- Crianças de 5 a 13 anos: 87,1% trabalhavam até 14 horas semanais.
- Faixa de 14 e 15 anos: 43,3% tinham jornadas de até 14 horas.
Remuneração média varia conforme carga horária
A renda média mensal do grupo em trabalho infantil era de R$ 936. Quem trabalhava até 14 horas recebia R$ 418; já os que trabalhavam 40 horas ou mais ganhavam R$ 1.439. Entre os que estudavam, o rendimento era de R$ 844, enquanto os que não estudavam recebiam, em média, R$ 1.326.
Trabalho perigoso atinge 525 mil crianças e adolescentes
O IBGE identificou 525 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em ocupações da Lista TIP (Piores Formas de Trabalho Infantil), que reúne atividades prejudiciais à saúde, segurança ou desenvolvimento. O contingente equivale a 36,2% do total de 1,450 milhão que exerciam atividade econômica em 2025. É o menor patamar da série histórica – em 2016 eram 919 mil, uma redução de 42,9%.
- 5 a 13 anos: 72,2% em ocupações perigosas.
- 14 e 15 anos: 41,2%.
- 16 e 17 anos: 31,6%.
Setores que mais concentram trabalho infantil
O comércio e reparação de veículos lideram, com 29% das crianças e adolescentes. A agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura respondem por 16,7%; a indústria por 12,5%; e os serviços de alojamento e alimentação por 12,2%. Entre crianças de 5 a 13 anos, as atividades agrícolas representam 47%.
Informalidade atinge dois em cada três adolescentes
Dos adolescentes de 16 e 17 anos que exerciam atividade econômica, 67% estavam em ocupações informais – 705 mil pessoas. Apesar de ser a menor taxa da série histórica, ainda representa aproximadamente dois em cada três jovens ocupados nessa faixa etária. Pela metodologia do IBGE, adolescentes de 16 e 17 anos em ocupações informais são classificados como em situação de trabalho infantil.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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