Terça-feira, 20 de Outubro de 2026

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Menu
ESTADO

Justiça mantém presos policiais investigados por desvio de drogas

Dois investigadores da Polícia Civil, um empresário e um jovem continuarão presos após Justiça negar pedidos de liberdade na Operação Infiltrados.

20/10/2026 às 09:32
3 min de leitura
Droga que iniciou as investigações da Operação Infiltrados contra policiais suspeitos de desvio em Campo Grande
Droga que deu início às investigações foi apresentada nas redes sociais da Denar. (Foto: Reprodução)

Anuncie Aqui

Dois investigadores da Polícia Civil, um empresário e um jovem continuarão presos após a Justiça negar pedidos de liberdade na Operação Infiltrados. As decisões foram publicadas no Diário da Justiça nesta terça-feira (20).

Operação Infiltrados: quem são os investigados que tiveram liberdade negada

A Justiça de Campo Grande negou a soltura de quatro pessoas envolvidas no esquema de desvio de drogas apreendidas. Conforme as publicações, os pedidos foram analisados individualmente, mas todos estão vinculados ao mesmo processo.

  • Marcos André Santos Chaves, investigador lotado na 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), suspeito de participar do desvio de 37 quilos de maconha durante ocorrência em outubro de 2025 no Jardim Los Angeles.
  • Nilton Cesar Sales dos Santos, investigador da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos), de 55 anos, suspeito de monitorar cargas de entorpecentes para interceptação ilegal.
  • Kayon Lucas Leodoro da Silva, de 19 anos, apontado como integrante do núcleo de apoio, atuando na identificação de locais de armazenamento e na circulação de drogas desviadas.
  • Matheus Gabriel Machado Bezerra, empresário do setor de transporte rodoviário de cargas, de 29 anos, preso durante a operação.

Como funcionava o esquema de desvio de drogas

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), policiais recebiam informações sobre carregamentos de drogas e realizavam apreensões. Parte do material era retirada antes do registro oficial e revendida ao tráfico.

No episódio de outubro de 2025, apenas 3 quilos de maconha foram registrados, mas pelo menos 37 quilos foram desviados. O esquema também contava com intermediários ligados a traficantes, que negociavam as drogas no mercado ilegal.

Dados extraídos de celulares revelaram conversas sobre pagamentos de R$ 50 mil a R$ 60 mil por operação para policiais envolvidos. Entre os participantes, está Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, apontado como intermediário entre policiais e traficantes.

Investigação começou com selfie de policial com 30 kg de cocaína

A Operação Infiltrados foi deflagrada em 24 de setembro pelo Gaeco. A investigação avançou a partir de uma selfie publicada nas redes sociais pelo policial Roberto Palmeira da Silva, na qual apareciam 30 quilos de pasta-base de cocaína apreendidos pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), em novembro de 2022.

Segundo o Gaeco, a droga teria sido alvo de negociação ilegal com uma quadrilha de traficantes. Conversas extraídas de celulares apreendidos em operações anteriores ajudaram a revelar a ligação entre policiais e criminosos, permitindo identificar o esquema de desvio e revenda de entorpecentes.

Denúncia pede perda de cargos e indenização de R$ 10 milhões

Em 9 de outubro, o Gaeco apresentou denúncia contra 23 pessoas, com pedido de condenação, perda dos cargos públicos de agentes de segurança e pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. Entre os policiais citados no pedido estão Marcos André Santos Chaves e Nilton Cesar Sales dos Santos.

De acordo com a investigação, o esquema funcionava por meio de diferentes núcleos. Enquanto policiais tinham acesso a informações privilegiadas e às apreensões, integrantes ligados ao tráfico eram responsáveis por intermediar negociações e encontrar compradores para as drogas desviadas.

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que comandou a Denar, é apontado como um dos líderes do esquema. Segundo o Ministério Público, o grupo teria atuado na identificação de carregamentos, realização de apreensões, retirada irregular de parte das drogas e posterior comercialização dos entorpecentes.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

Ver mais matérias