Justiça mantém presos policiais investigados por desvio de drogas
Dois investigadores da Polícia Civil, um empresário e um jovem continuarão presos após Justiça negar pedidos de liberdade na Operação Infiltrados.
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Dois investigadores da Polícia Civil, um empresário e um jovem continuarão presos após a Justiça negar pedidos de liberdade na Operação Infiltrados. As decisões foram publicadas no Diário da Justiça nesta terça-feira (20).
Operação Infiltrados: quem são os investigados que tiveram liberdade negada
A Justiça de Campo Grande negou a soltura de quatro pessoas envolvidas no esquema de desvio de drogas apreendidas. Conforme as publicações, os pedidos foram analisados individualmente, mas todos estão vinculados ao mesmo processo.
- Marcos André Santos Chaves, investigador lotado na 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), suspeito de participar do desvio de 37 quilos de maconha durante ocorrência em outubro de 2025 no Jardim Los Angeles.
- Nilton Cesar Sales dos Santos, investigador da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos), de 55 anos, suspeito de monitorar cargas de entorpecentes para interceptação ilegal.
- Kayon Lucas Leodoro da Silva, de 19 anos, apontado como integrante do núcleo de apoio, atuando na identificação de locais de armazenamento e na circulação de drogas desviadas.
- Matheus Gabriel Machado Bezerra, empresário do setor de transporte rodoviário de cargas, de 29 anos, preso durante a operação.
Como funcionava o esquema de desvio de drogas
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), policiais recebiam informações sobre carregamentos de drogas e realizavam apreensões. Parte do material era retirada antes do registro oficial e revendida ao tráfico.
No episódio de outubro de 2025, apenas 3 quilos de maconha foram registrados, mas pelo menos 37 quilos foram desviados. O esquema também contava com intermediários ligados a traficantes, que negociavam as drogas no mercado ilegal.
Dados extraídos de celulares revelaram conversas sobre pagamentos de R$ 50 mil a R$ 60 mil por operação para policiais envolvidos. Entre os participantes, está Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, apontado como intermediário entre policiais e traficantes.
Investigação começou com selfie de policial com 30 kg de cocaína
A Operação Infiltrados foi deflagrada em 24 de setembro pelo Gaeco. A investigação avançou a partir de uma selfie publicada nas redes sociais pelo policial Roberto Palmeira da Silva, na qual apareciam 30 quilos de pasta-base de cocaína apreendidos pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), em novembro de 2022.
Segundo o Gaeco, a droga teria sido alvo de negociação ilegal com uma quadrilha de traficantes. Conversas extraídas de celulares apreendidos em operações anteriores ajudaram a revelar a ligação entre policiais e criminosos, permitindo identificar o esquema de desvio e revenda de entorpecentes.
Denúncia pede perda de cargos e indenização de R$ 10 milhões
Em 9 de outubro, o Gaeco apresentou denúncia contra 23 pessoas, com pedido de condenação, perda dos cargos públicos de agentes de segurança e pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. Entre os policiais citados no pedido estão Marcos André Santos Chaves e Nilton Cesar Sales dos Santos.
De acordo com a investigação, o esquema funcionava por meio de diferentes núcleos. Enquanto policiais tinham acesso a informações privilegiadas e às apreensões, integrantes ligados ao tráfico eram responsáveis por intermediar negociações e encontrar compradores para as drogas desviadas.
O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que comandou a Denar, é apontado como um dos líderes do esquema. Segundo o Ministério Público, o grupo teria atuado na identificação de carregamentos, realização de apreensões, retirada irregular de parte das drogas e posterior comercialização dos entorpecentes.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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