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POLÍTICA

Brasil volta a ser devedor externo após 19 anos como credor

Depois de 19 anos como credor, Brasil registra dívida externa líquida de US$ 5,1 bilhões em junho, segundo o Banco Central.

22/10/2026 às 07:40
3 min de leitura
Brasil volta a ser devedor externo após 19 anos, com dívida líquida de US$ 5,1 bilhões
Reprodução

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O Brasil voltou a registrar dívida externa líquida positiva em junho de 2026, interrompendo um período de 19 anos como credor líquido. De acordo com o Banco Central, o endividamento totalizou US$ 407,1 bilhões, ultrapassando os US$ 402 bilhões em reservas internacionais e gerando um saldo devedor de US$ 5,1 bilhões.

Dívida externa supera reservas internacionais

O movimento é resultado do crescimento mais acelerado da dívida em comparação aos ativos externos. A pressão sobre as contas externas se concentra no déficit em transações correntes, que inclui pagamentos de serviços, remessas de investimentos e obrigações com credores estrangeiros.

Déficit em transações correntes dobra em 2024

Em 2024, o desequilíbrio nas transações correntes atingiu US$ 67,4 bilhões, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões registrados no ano anterior. Esse aumento pressiona as contas externas e reduz a margem de segurança do país.

Investimentos estrangeiros perdem fôlego

Os investimentos diretos estrangeiros têm coberto o déficit, mas a folga diminuiu:

  • Cobertura em 2025: fluxo de investimentos superou o déficit em US$ 17,6 bilhões
  • Dois anos antes: diferença ultrapassava US$ 38 bilhões
  • Em 2024: ficou abaixo de US$ 9 bilhões

Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida externa avançou 27,4%, contra um crescimento de 15,8% das reservas. Intervenções do Banco Central no mercado de câmbio e a valorização do real limitaram a expansão dos ativos internacionais.

Perspectivas do Tesouro Nacional

Mesmo com a inversão, a dívida externa líquida permanece inferior a 0,3% do PIB. As reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos de curto prazo da dívida. O Tesouro Nacional avalia essa cobertura como confortável e planeja:

  • Elevar gradualmente a participação da dívida pública federal em moeda estrangeira de menos de 4% para 7%
  • Estudar emissões em euros
  • Acompanhar condições para primeira operação em yuans, autorizada pelo TCU

Quando se compara apenas a dívida pública com as reservas, o setor público brasileiro continua sendo credor externo líquido, com diferença equivalente a 6% do PIB. O indicador supera o do México, enquanto Colômbia, Uruguai e Chile apresentam dívidas superiores às reservas.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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