Cronologia mostra suspeita de advogado vazar operação para delegado
Trajeto e chamadas de advogado são usados como indícios de vazamento de operação do Gaeco para delegado.
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A caminhonete do advogado Amilton Ferreira de Almeida já estava nas ruas de Campo Grande às 4h38 do dia 24 de setembro. Nos minutos seguintes, o veículo passou por pontos estratégicos, incluindo a sede do Gaeco, no Jardim Veraneio. A sequência de movimentos e telefonemas ao delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, então chefe da Denar, sustenta a denúncia de obstrução de Justiça contra o advogado.
Trajeto monitorado por câmeras
Imagens de segurança registraram a Hilux do advogado em diferentes horários:
- 4h38: Avenida Olavo Vilela de Andrade, Vila Albuquerque.
- 4h52: Avenida Ministro João Arinos.
- 4h57: Avenida do Poeta, Jardim Veraneio – a 3 minutos da sede do Gaeco.
Às 5h, as equipes policiais começavam a se organizar para cumprir 24 mandados de prisão preventiva. Exatamente nesse horário, Amilton tentou ligar para Hoffman pelo WhatsApp.
As ligações suspeitas
O primeiro contato foi uma chamada de áudio rejeitada, seguida por uma videochamada às 5h01, que durou 1 minuto e 12 segundos. A acusação acredita que foi nesse instante que o delegado recebeu o aviso.
Logo depois, Hoffman trocou mensagens com outro interlocutor não identificado. Entre 5h04 e 5h05, foram quatro mensagens. Uma videochamada desse terceiro ocorreu das 5h08 às 5h12.
Às 5h18, câmeras registraram Hoffman saindo de casa em um Honda HR-V, 12 minutos antes do horário previsto para o cumprimento dos mandados. Quando os policiais chegaram, às 5h30, o delegado já havia deixado o local.
Novos contatos e chegada do advogado
Às 5h25, Hoffman ligou para Amilton por vídeo, conversando por 1 minuto e 55 segundos. Suspeita-se que ele monitorava a residência por câmeras. Em seguida, às 5h38, outro contato entre os dois.
Às 5h45, Amilton chegou à casa do delegado, no Bairro Carandá Bosque, de terno e gravata, apresentando-se como defensor. A distância entre sua residência (11 km) foi percorrida em cerca de 7 minutos.
Defesa alega coincidência
A advogada Damares Machado afirma que Hoffman e Amilton já mantinham relação profissional, com procuração prévia, e costumavam se encontrar pela manhã. A saída antecipada do delegado seria uma coincidência.
Amilton foi preso em 29 de setembro, mas o STJ determinou sua soltura em 19 de outubro, afastando a prisão preventiva. A ação penal corre na 2ª Vara Criminal de Campo Grande.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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