Sesau não esclarece motivo de bebê ter ido a hospital sem UTI
Secretaria de Saúde não explica envio de bebê a hospital sem UTI, gerando protesto da família.
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A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande afirmou que cumpriu os protocolos ao encaminhar os pedidos de transferência da bebê, mas não esclareceu quais hospitais foram consultados nem por que a criança foi enviada ao Hospital de Câncer Alfredo Abrão, que não possui UTI pediátrica. A falta de respostas mantém o principal questionamento da família, que cobra explicações após a morte da menina.
Resposta evasiva da Sesau
A pasta informou que as solicitações seguiram os fluxos regulatórios e foram submetidas à avaliação dos serviços de referência. No entanto, não detalhou se houve recusa de vagas, nem apresentou a sequência ou os horários dos pedidos. A Sesau também não disse se outras unidades com UTI pediátrica foram consideradas antes da autorização da vaga no Hospital de Câncer.
Cronologia do atendimento
- 7 de outubro, madrugada: Bebê é levada à UPA Universitário com sintomas gripais. Exame de raio-X identifica mancha no pulmão, mas criança é liberada com prescrição de antibiótico.
- 10 de outubro, 6h: Criança retorna com febre, vômitos e diarreia. Na UPA, recebe medicação e oxigênio, mas saturação cai. Equipe pede vaga hospitalar.
- 10 de outubro, 13h59: Bebê é transferida para o Hospital de Câncer Alfredo Abrão, unidade sem UTI pediátrica.
- 10 de outubro, 15h05: Admitida com broncopneumonia e insuficiência respiratória aguda. Documentação aponta saturação de 90% mesmo com suplementação de oxigênio.
- 10 de outubro, 17h20: Médicos solicitam transferência emergencial para hospital com suporte ventilatório avançado.
- 10 de outubro, 18h: Bebê é levada ao Hospital Regional após ambulância com suporte avançado.
- 11 de outubro, 4h35: Criança morre. Certidão de óbito aponta insuficiência respiratória, choque séptico e outras complicações.
Protesto e investigação
Na terça-feira, 20, familiares e amigos protestaram em frente à UPA Universitário. A principal cobrança é o encaminhamento da bebê ao Hospital de Câncer. A mãe também relatou possíveis falhas na administração de medicamentos e oxigênio. A família registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) e acionou o Ministério Público (MPMS). A Associação de Vítimas de Erros Médicos (AVEM) acompanha o caso.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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