Áudios expõem escalada de ameaças de Palermo à filha em cativeiro
Áudios obtidos pela polícia mostram Palermo comandando ameaças contra a filha durante sequestro em Campo Grande.
Anuncie Aqui
O narcotraficante internacional Gerson Palermo acompanhou em tempo real o sequestro da própria filha, em outubro de 2025, em Campo Grande. A conclusão consta de relatório complementar da Garras, delegacia especializada da Polícia Civil. O documento foi concluído em 23 de setembro de 2026 e obtido pelo Campo Grande News.
O documento reúne 19 registros de áudio e mensagens extraídos do celular de Reinaldo Silva de Farias, conhecido como “Rei”. A Polícia Civil aponta Rei como coordenador operacional do crime e Palermo como mandante.
Para os investigadores, Palermo usou o vínculo familiar para atrair a filha até os criminosos. A motivação seria a disputa por dinheiro que ele dizia ter deixado com o avô materno da jovem.
Valores citados na investigação
- Defesa de Palermo: a quantia era de R$ 50 mil, proveniente da venda de gado.
- Vítima: os sequestradores citaram valores entre R$ 50 mil e R$ 1 milhão.
A jovem negou saber qualquer coisa sobre o suposto valor.
Três gravações mostram a escalada
- 20h44: áudio de 57 segundos ordena dar coronhadas e diz “explode” se a vítima gritar.
- 21h02: gravação de 38 segundos afirma que o avô está quase morrendo e ameaça usar chicote.
- 21h24: áudio de 38 segundos dá prazo até 21h30 e manda levar a jovem ao Inferninho.
No primeiro áudio, o interlocutor diz que a mãe e o avô da vítima estavam amarrados e exige informações sobre o dinheiro. “O vovô reconheceu o dinheiro que guardou, mas tá jogando para a mãe dela aqui”, afirma. Ele ainda ameaça: “Vamo lá invadir a casa do vô, e o primeiro que eu vou fazer pular vai ser o vô”.
A gravação também manda tirar uma foto da jovem para enviar à mãe. Se a vítima não colaborasse, a ordem era dar coronhadas. “Se ela gritar ou fizer auê, explode”, completa.
No segundo áudio, a pressão aumenta. “A mãe dela já tá apanhando igual uma condenada, amarrada junto com o velho e agora quem vai começar a apanhar aí é ela”, diz o interlocutor. Ele afirma ainda: “Fala para ela soltar a voz que, se cair a madrugada, aí o chicote vai estralar”.
No terceiro áudio, o tom é de ultimato. O interlocutor dá prazo até 21h30 e ameaça: “Vou matar um por um”. Se não houvesse acordo, a ordem era colocar a jovem em um carro e seguir para o Inferninho. Ele também diz que esperava havia seis meses e que o avô da vítima estava morrendo: “Pelo menos um vai pular”.
Palermo acompanhava tudo em tempo real
Uma gravação de 25 de outubro de 2025, às 11h18, reforça a tese de que o sequestro era monitorado à distância. “Mas como estava tudo em tempo real junto com o velho lá, não deu”, diz um trecho.
O interlocutor também relata ter devolvido objetos pessoais da vítima. “Eu fui lá, peguei o celular hoje, peguei o notebook, entendeu? Fui lá, entreguei lá em mãos, lá, para o pessoal”, afirma.
O relatório não identifica expressamente o autor da voz que transmitiu as ordens. A Polícia Civil, ainda assim, aponta Palermo como mandante.
Defesa nega e fala em encenação
Palermo estava foragido da Justiça e escondido na Bolívia quando a filha foi sequestrada. Ele foi preso em 30 de maio de 2026 e encaminhado ao sistema penitenciário federal. Em depoimento, negou ter determinado o sequestro.
A defesa sustenta que o episódio foi uma encenação para pressionar a família a devolver dinheiro. A versão é contestada pela vítima, que afirmou ter sido enganada pelo próprio pai de criação e submetida a ameaças e agressões. Reinaldo também negou participação no crime.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
Ver mais matérias
Comentários