PF aponta propina de R$ 40 mi para advogado no caso Eldorado
A Polícia Federal aponta que o advogado Willer Tomaz articulou R$ 40 mi para favorecer a Paper Excellence na disputa pela Eldorado.
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A Polícia Federal aponta que o advogado Willer Tomaz articulou o pagamento de US$ 7,5 milhões (R$ 40 milhões). Ele é amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). O objetivo era obter um parecer favorável do MPF no STJ.
A disputa envolvia a Paper Excellence e a J&F pelo controle da Eldorado Brasil, em Três Lagoas (MS). Mensagens obtidas pela PF mostram que o próprio advogado teria direito a R$ 10 milhões do montante. A informação é da coluna de Natália Portinari, no UOL.
Entenda a disputa pela Eldorado
Em 2017, a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, acertou a venda total da Eldorado à Paper Excellence. O valor do negócio era de R$ 15 bilhões. A compra inicial foi de 49,41% das ações.
A Paper é controlada pela família indonésia Wijaya e atua no país por meio da CA Investment. Após o acordo inicial, a J&F não concluiu a transferência do controle acionário. A empresa alegou descumprimento de cláusulas contratuais, e a disputa foi parar na Justiça.
Em 2021, uma câmara arbitral deu ganho de causa à Paper e determinou a conclusão da venda. A J&F recorreu à Justiça de São Paulo para tentar anular a arbitragem. O caso subiu ao STJ.
Propina de R$ 40 mi para influenciar o STJ
Em 2024, Willer Tomaz enviou a Marc Dhabi um parecer favorável à Paper. O objetivo era influenciar a análise do processo no STJ. O documento foi protocolado no STJ no mesmo dia.
O parecer é do subprocurador-geral da República aposentado Antônio Carlos Simões Soares. Ele é citado como ‘AC’ nas mensagens.
- Propina apontada: US$ 7,5 milhões (cerca de R$ 40 milhões)
- Comissão do advogado: R$ 10 milhões
- Recebimento via Difusora: R$ 12,3 milhões
- Venda inicial: R$ 15 bilhões
- Recompra pela J&F: US$ 2,7 bilhões
A empresa Difusora Comunicação, de Willer Tomaz, recebeu R$ 12,3 milhões. O valor corresponde a R$ 10 milhões líquidos. No mesmo dia, o procurador Soares assinou o parecer contra a liminar favorável à J&F.
A contratação de Tomaz foi formalizada por meio da offshore Zunway Limited. Isso ocorreu após recusas de emissão de notas fiscais simuladas. Os serviços seriam de mídia ou táxi aéreo. O objetivo era ocultar a ligação formal com o caso nos autos.
Acordo encerra briga em 2025
No STJ, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, desconsiderou a orientação do parecer do MPF. Ela decidiu favoravelmente à J&F. Meses depois, em maio de 2025, a J&F e a Paper Excellence fecharam o acordo definitivo.
O acordo devolveu o controle total da fábrica aos irmãos Batista.
Espionagem investigada por quase sete anos
Outra ação envolvendo a Paper e a J&F investigava suspeita de espionagem relacionada à Eldorado Brasil. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, a investigação apurava possível hackeamento de sistemas. O caso envolvia obtenção indevida de aproximadamente 70 mil e-mails em 2019.
O inquérito se estendeu por quase sete anos, mas acabou sem acusação formal. O MPF entendeu que as evidências digitais não são confiáveis. A apuração apontou falhas na preservação e rastreabilidade dos dados desde o início.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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