Defesa de delegado preso pede liberdade e nega risco às investigações
Advogados do delegado Hoffman D'Ávila pedem à Justiça a revogação da prisão preventiva na Operação Infiltrados.
Anuncie Aqui
A defesa do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa protocolou na 8ª Vara Criminal de Campo Grande um pedido de revogação da prisão preventiva. A petição, com tarja de “urgente”, chegou ontem e ainda não foi analisada.
Os advogados José Roberto Rodrigues da Rosa e João Pedro da Silva Fialho sustentam que o delegado não representa mais risco à investigação da Operação Infiltrados. Segundo eles, o cumprimento das buscas, a apreensão de documentos e equipamentos e o oferecimento da denúncia alteraram as circunstâncias que justificaram a prisão.
Defesa aponta mudança nas circunstâncias
Hoffman está preso desde 14 de setembro, dez dias antes da deflagração da Operação Infiltrados. A investigação apura o envolvimento de policiais civis com uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas.
No pedido, os advogados afirmam que a decisão inicial levou em conta o risco de os investigados descobrirem a operação, ocultarem provas ou usarem sistemas policiais para atrapalhar as diligências. Esse cenário mudou em 24 de setembro, quando as equipes cumpriram as ordens judiciais e recolheram materiais.
O que foi apreendido
Durante as buscas na residência do delegado, as autoridades apreenderam aparelhos eletrônicos, mídias, uma agenda, um caderno e um sistema de câmeras. O registro da diligência não aponta apreensão de drogas, dinheiro sem origem comprovada ou arma particular.
Na Delegacia de Terenos, onde Hoffman trabalhava, os policiais também fizeram buscas. A defesa afirma que ele permitiu o acesso ao local e que nenhum material foi recolhido na unidade.
Os advogados ressaltam: “Desde o cumprimento da ordem (prisão), não foi indicado ato superveniente pelo qual Hoffman tenha coagido pessoa, destruído prova já arrecadada, acessado sistema policial, violado ordem judicial ou organizado evasão. A ausência desse dado não elimina todo risco imaginável, mas impede que a prisão seja mantida como prevenção genérica contra possibilidades indeterminadas.”
Defesa pede medidas cautelares no lugar da prisão
Os advogados argumentam que a gravidade das acusações não é suficiente para manter a prisão sem a demonstração de perigo concreto e atual. Eles propõem a substituição da preventiva por outras medidas:
- Tornozeleira eletrônica e comparecimento periódico à Justiça;
- Suspensão do exercício da função policial e bloqueio de acesso a sistemas como Sigo, Córtex e Infoseg;
- Proibição de contato com investigados e testemunhas;
- Recolhimento domiciliar noturno e entrega do passaporte;
- Impedimento de entrada em delegacias, unidades de inteligência e locais de armazenamento de drogas;
- Recolhimento de armas, munições, carteira funcional, distintivo e credenciais.
A defesa também pede que Hoffman não deixe Campo Grande ou Mato Grosso do Sul sem autorização judicial. Para os advogados, essas restrições eliminariam os instrumentos que, segundo a acusação, poderiam permitir influência sobre testemunhas ou acesso a informações sigilosas.
A defesa lembra ainda que o MPMS comunicou, em 25 de setembro, o cumprimento das medidas e não se opôs ao acesso dos advogados aos documentos. Para eles, essa manifestação mostra que o risco de comprometimento das diligências diminuiu.
Acusações na Operação Infiltrados
Na denúncia do Ministério Público, Hoffman responde por organização criminosa, desvio de recursos públicos, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e embaraço à investigação. O MP aponta o delegado como um dos líderes do esquema.
Entre os episódios citados estão suspeitas envolvendo apreensões de drogas, o destino de parte de um carregamento de 793 quilos de maconha e irregularidades no encaminhamento de celulares apreendidos em Bela Vista.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
Ver mais matérias
Comentários