PF chega à cúpula do TCE-MT após denúncia anônima e faz buscas em MS
A PF prende seis pessoas e cumpre 26 mandados de busca e apreensão em três Estados após denúncia anônima contra o TCE-MT.
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A Operação Tomada de Contas começou com uma denúncia anônima sobre favorecimento de empresas contratadas pelo TCE-MT. O relato chegou ao Ministério Público Federal e levou o STJ a autorizar uma sindicância. A decisão do ministro Og Fernandes aponta suspeitas de que contratos eram suspensos para pressionar fornecedores e obter vantagens indebidas.
Investigacião contra cúpula do TCE-MT
A análise começou com duas portarias emitidas em 2024 pelo presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida. Os documentos suspendiam contratos sob justificativa de contenção de despesas, mas permitiam tratamento especial para algumas empresas.
- Pagamentos: aumentaram R$ 13 milhões durante o período de suspensão.
- Faturamento: algumas empresas cresceram até 327%.
- Movimentações: a PF encontrou R$ 75,8 milhões em transações financeiras suspeitas.
R$ 75,8 milhões em movimentações atípicas
Entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, período de 294 dias, a PF identificou R$ 75.858.726,27 em movimentações atípicas. Parte do dinheiro circulou por pagamentos extraordinários, fora da folha convencional, e por contas de pessoas ligadas à administração do tribunal.
- Sérgio Ricardo: R$ 15.442.211,65 em créditos, contra R$ 288.501,05 declarados como remuneração oficial.
- Grhegory Paiva Pires Moreira Maia: R$ 32.310.120,43, com R$ 31,6 milhões em 179 ordens bancárias avulsas em 12 contas de 9 instituições.
- Gustavo Fernandes da Silva: R$ 15.892.850,54 em créditos e saques feitos em caixas bancários.
- Felipe José Glinke: R$ 9.932.818,72 em créditos e participação em saques na agência Sicoob do tribunal.
A apuração também identificou 150 saques em espécie vinculados ao conselheiro, que somaram R$ 15.645.500,00.
Saques na agência bancária do tribunal
Imagens de câmeras de segurança registraram servidores sacando elevadas quantidades na agência do Sicoob dentro da sede do TCE-MT. O cruzamento com extratos bancários mostrou coincidências entre a entrada de recursos e os saques. A PF também detectou retiradas fracionadas, em valores inferiores aos limites que exigem comunicações automáticas aos órgãos de controle.
Em outubro de 2025, durante uma diligência de observação, o sistema de controle de acesso identificou a presença da equipe e a segurança privada abordou um agente. Relata a decisão judicial que os investigados alteraram temporariamente o padrão de movimentação. A partir de maio de 2026, os saques de grandes quantias voltaram.
Roseli Loss, chefe de gabinete, entre os presos
Roseli Loss, chefe de gabinete da Presidência, está entre os seis presos. A investigação vincula a administração das contas de Sérgio Ricardo e saques que somaram R$ 3.520.600 em espécie nas dependências do tribunal.
Nas redes sociais, Roseli publicou viagens e hospedagens em hotéis de luxo, entre eles o Rosewood, em São Paulo, onde uma suíte pode custar R$ 11 mil por noite. Também compartilhou um vídeo humorístico sobre a preocupação de chamar a atenção da Receita Federal por exibir um padrão de vida incompatível com o saldo bancário.
Outro investigado é Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado de Sérgio Ricardo. A PF identificou R$ 2.280.724,93 em valores recebidos por ele. É considerado participante no transporte de dinheiro em espécie e na movimentação dos recursos retirados por Roseli.
Conselheiros com R$ 48,4 milhões em créditos
A quebra de sigilo bancário revelou que conselheiros do TCE-MT receberam R$ 48,4 milhões em créditos suspeitos, segundo RepórterMT. O levantamento atribui R$ 15,4 milhões a Sérgio Ricardo, R$ 10,6 milhões a Guilherme Maluf, R$ 8,8 milhões a José Carlos Novelli, R$ 8,1 milhões a Alisson Alencar e R$ 6,6 milhões a Valter Albano.
O STJ também autorizou o bloqueio de bens e valores no montante de R$ 145 milhões. A suspeita é que parte dos recursos foi direcionada a empresas familiares de administração patrimonial e a sociedades ligadas à criação de cavalos de raça.
Seis presos e afastamento de conselheiros
Além de Sérgio Ricardo, a PF prendeu Roseli Loss, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. A Justiça manteve as seis prisões durante as audiências de custódia realizadas na tarde desta quinta-feira em Cuiabá.
O vice-presidente Waldir Júlio Teis assumiu interinamente a presidência do TCE-MT. O STJ também ordenou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar.
Apreensões e buscas em Campo Grande
Durante os mandados, a PF encontrou dinheiro em espécie, relógios de luxo, joias e veículos importados. As imagens divulgadas mostram pilhas de cédulas sobre uma mesa e cinco caixas cheias de dinheiro no porta-malas de um veículo. Os agentes também apreenderam veículos Audi e Mercedes-Benz, além de reais, dólares e euros e mais de 30 relógios de luxo.
Em Mato Grosso do Sul, a operação chegou a Campo Grande com mandados de busca e apreensão. A PF ainda não informou quantos endereços foram alvo, quem são os investigados locais nem quais materiais foram coletados. São investigados crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A operação mobilizou mais de 180 policiais federais, com 6 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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