Palácio do Governo de MS é revelado em maquete, mas não saiu do papel
Exposição na UFMS mostra maquete do Palácio do Governo de MS, projetado para o Parque dos Poderes e nunca construído.
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Exposição na UFMS mostra maquete do Palácio do Governo de MS, projetado para o Parque dos Poderes e nunca construído.
A maquete foi produzida pelos universitários Apollo de Arruda e Bianca Caldas, dentro da disciplina Construir e Habitar IV, ministrada pelo professor doutor Júlio Bottega. A mostra reuniu modelos de edifícios do Parque dos Poderes e incluiu projetos que ficaram apenas no papel.
Valter Cortez, arquiteto e urbanista, é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Nascido em Campo Grande, formou-se pela Faculdade de Arquitetura Santa Úrsula, no Rio de Janeiro.
Palácio do Governo foi idealizado para o Parque dos Poderes
O edifício foi projetado no início dos anos 1980 para a área do Parque dos Poderes. A proposta era criar uma construção que representasse a natureza de Mato Grosso do Sul e se integrasse à paisagem do parque.
O memorial descritivo, publicado na revista Projeto em 1982, apresentava dois blocos retangulares de diferentes dimensões, sobrepostos em forma de cruz. Veja as características:
- Volume principal: dois pavimentos para atividades administrativas, com flexibilidade na organização interna.
- Pavimento superior: abrigaria a Governadoria, o gabinete do governador, assessorias, recepção e áreas para cerimônias.
- Térreo: áreas abertas com pilares, espaços de circulação, convivência e exposição de obras de arte.
- Subsolo: garagem e serviços.
- Acessos: entrada subterrânea exclusiva para o governador; funcionários e público usariam escadas e elevadores próprios.
Jardins, floreiras, espelho d’água e cascatas completariam o conjunto. Concreto aparente e vidro seriam os materiais predominantes. A cobertura de concreto também protegeria as áreas envidraçadas da incidência direta do sol.
Projeto vencedor foi contratado e pago
O concurso público ocorreu em 1982, no governo de Pedro Pedrossian. Além de Valter Cortez, assinaram o projeto Fayez José Rizk e Lauro Veloso Malaquias. A equipe levou cerca de seis meses para desenvolver a proposta, com desenhos feitos à mão.
No memorial da revista Projeto, o palácio foi descrito como um “marco expressivo, símbolo do novo Estado”, criado em 1977. O acesso seria pela Avenida Afonso Pena, em área oposta ao Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo – Palácio da Cultura.
O arquiteto afirma que o projeto foi contratado e pago, mas a obra não avançou. O governo já funcionava em um prédio inicialmente destinado a uma secretaria, e a sede própria ficou para depois.
Segundo Valter, a execução exigiria cuidado especial com os grandes vãos entre pilares, a climatização e o acabamento do concreto aparente. Ele avalia que era um projeto refinado, com volumetria integrada à paisagem. “Dá uma certa frustração, dá”, disse ao ver a maquete.
Pesquisa investiga história e ausência do palácio
A história do palácio integra uma pesquisa conduzida por Júlio Bottega, coordenador do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFMS. Em parceria com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e outros pesquisadores, o estudo busca reconstruir a história dos edifícios, da paisagem e do traçado urbano do Parque dos Poderes. O trabalho ainda está em fase inicial e poderá contribuir para a discussão sobre o reconhecimento do conjunto como patrimônio nacional.
Para Bottega, uma sede própria teria significado simbólico e institucional. “Todos os estados têm os seus palácios de governo”, afirmou. Na avaliação do professor, uma sede própria daria destaque à instituição e à paisagem da sede administrativa. “Nessa perspectiva, eu entendo que realmente faz falta”, disse.
O pesquisador reconhece que ainda não há comprovação documental sobre por que o palácio não foi construído. A perda de prioridade diante de outras necessidades do Estado e o maior escrutínio público são hipóteses pessoais, sem confirmação.
Nove edifícios foram erguidos no Parque dos Poderes
Em 1983, oito blocos de secretarias já estavam concluídos no Parque dos Poderes. No projeto original do Parque dos Poderes, estavam previstos dez edifícios. Nove foram construídos. A Governadoria foi a única que não saiu do papel.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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