Quarta-feira, 4 de Novembro de 2026

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Menu
ESTADO

Delegado afastado lucrou R$ 15 milhões com tráfico de cocaína

Preso desde setembro, Hoffman D'Ávila é alvo da Operação Ifrit por comandar esquema que desviou cocaína da própria delegacia.

04/11/2026 às 11:56
3 min de leitura
Delegado afastado Hoffman D'Ávila lucrou R$ 15 milhões com tráfico de cocaína desviada
O delegado afastado Hoffman D´avila (Foto: Arquivo/IA)

Anuncie Aqui

O delegado afastado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa é apontado como um dos líderes de uma organização criminosa que desviava cocaína da Denar, delegacia que ele próprio comandou em Campo Grande. A nova fase da investigação, batizada de Operação Ifrit, foi deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em parceria com a Receita Federal.

Esquema movimentou R$ 15 milhões com venda de droga

Segundo as investigações, Hoffman negociava cada quilo da droga por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil. O esquema teria desviado aproximadamente 2 toneladas de cocaína em cerca de dois anos, gerando um lucro de R$ 15 milhões.

Além do dinheiro obtido com a comercialização da droga, a Polícia Federal aponta que o delegado teria recebido:

  • Veículos de alto padrão
  • Mansão no condomínio Alphaville, em Campo Grande
  • Sítio em Pirenópolis (GO)

Droga era substituída por mistura de baixa pureza

Para esconder os desvios, a organização substituía a cocaína original por uma mistura preparada com amido de milho, fermento e outras substâncias. O material adulterado era colocado no depósito da delegacia e encaminhado para destruição, enquanto a droga de maior pureza era comercializada.

Durante as investigações, a PF encontrou conversas, imagens e vídeos dos suspeitos manipulando a droga, inclusive dentro da unidade policial. O esquema aproveitava falhas na fiscalização dos depósitos, já que os testes realizados não identificavam o grau de pureza da cocaína.

Carreira do delegado afastado

Policial há 17 anos, Hoffman começou a carreira como escrivão em Goiás e ingressou na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul como delegado em 2014. Comandou a Denar até fevereiro deste ano, quando assumiu a Garras. Posteriormente, passou pela 6ª Delegacia e foi transferido para Terenos.

Delegado de classe especial, Hoffman chegou ao topo da carreira com salário bruto próximo de R$ 40 mil. Mesmo afastado das funções, continua recebendo remuneração.

Na Operação Infiltrados, deflagrada em setembro pelo Gaeco, Hoffman foi apontado como um dos líderes do esquema de desvio de drogas. Na semana passada, se tornou réu por suspeita de obstrução de Justiça. O MPMS pediu a manutenção da prisão preventiva, sob o argumento de que sua liberdade poderia permitir a destruição de provas.

Defesa diz que prisão preventiva não é condenação

Em nota, a banca de advogados de Hoffman, liderada por José Roberto da Rosa, confirmou o cumprimento da nova ordem de prisão e informou que ainda não teve acesso integral ao processo e às provas da Operação Ifrit. A defesa alegou que seria prematuro comentar as novas acusações e ressaltou que prisões preventivas não representam condenação.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

Ver mais matérias