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ESTADO

Delegado vira traficante e lucra R$ 15 mi com cocaína desviada

Investigação aponta que delegado afastado lucrou R$ 15 milhões com cocaína desviada da própria delegacia.

04/11/2026 às 11:27
3 min de leitura
Delegado é investigado por lucrar R$ 15 milhões com venda de cocaína desviada
O delegado afastado Hoffman D´avila durante entrevista  sobre apreensão de drogas.(Foto: Arquivo)

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Ifrit, que desarticulou uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas e armas. Entre os alvos está o delegado afastado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, preso desde setembro por envolvimento em esquema de desvio de cocaína.

Esquema de desvio de cocaína

Segundo a investigação, o delegado negociava cada quilo da droga por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil. O esquema teria permitido o desvio de aproximadamente 2 toneladas de cocaína em cerca de dois anos.

Além do lucro de R$ 15 milhões, a PF aponta que o delegado teria recebido:

  • Veículos de luxo;
  • Mansão de alto padrão no condomínio Alphaville, em Campo Grande;
  • Sítio em Pirenópolis (GO).

Para esconder os desvios, a organização substituía a cocaína original por uma mistura de baixa pureza, preparada com amido de milho, fermento e outras substâncias. O material adulterado era colocado no depósito da delegacia e posteriormente encaminhado para destruição, enquanto a droga de maior pureza era comercializada.

A PF encontrou conversas, imagens e vídeos dos investigados manipulando a droga, inclusive dentro da unidade policial. O esquema aproveitava falhas na fiscalização dos depósitos, já que os testes realizados não identificavam o grau de pureza da cocaína.

Perfil do delegado

Hoffman tem 17 anos de carreira, começou como escrivão em Goiás e ingressou na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul como delegado em 2014. Comandou a Denar até fevereiro, quando assumiu a Garras. Posteriormente, passou pela 6ª Delegacia e foi transferido para Terenos. Chegou ao topo da carreira, como delegado de classe especial, com salário bruto próximo de R$ 40 mil.

Na Operação Infiltrados, deflagrada em setembro pelo Gaeco, Hoffman foi apontado como um dos líderes de um esquema de desvio e comercialização de drogas apreendidas. Na semana passada, se tornou réu por suspeita de obstrução de Justiça, em investigação sobre vazamento de informações sigilosas da operação do Gaeco.

Transferência para presídio federal

Afastado da Polícia Civil e preso na sede do Garras, Hoffman foi transferido para o Presídio Federal de Segurança Máxima, diante da gravidade dos crimes. Além dele, a Justiça Federal determinou o envio de mais 10 integrantes da organização para presídios federais de segurança máxima.

A operação foi deflagrada em sete estados e também teve como alvos mais dois policiais civis, um policial militar e um policial rodoviário federal.

Defesa do delegado

Em nota, a banca de advogados de Hoffman, liderada por José Roberto da Rosa, confirmou o cumprimento da nova ordem de prisão e informou que ainda não teve acesso integral ao processo e às provas da Operação Ifrit. A defesa alegou que seria prematuro comentar as novas acusações e ressaltou que prisões preventivas não representam condenação. Os advogados informaram que analisarão o procedimento e adotarão as medidas judiciais cabíveis.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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