Urbanização em 31 favelas de MS cresce 272%; verde cai 77%
Dados do MapBiomas mostram que área urbanizada em 31 favelas de 8 cidades de MS saltou de 76,76 para 285,55 hectares entre 1985 e 2025.
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Dados do MapBiomas mostram que a área urbanizada em 31 favelas e comunidades urbanas de Mato Grosso do Sul cresceu 272% entre 1985 e 2025. No mesmo período, a vegetação nesses territórios caiu 77,3%. As informações foram divulgadas no Dia da Favela, celebrado nesta quarta-feira (4).
O levantamento aponta que a área urbanizada passou de 76,76 hectares para 285,55 hectares. Já o verde caiu de 255,59 hectares para 58,09 hectares. Os dados foram obtidos por imagens de satélite ao longo de quatro décadas.
O que dizem os números de 40 anos
A expansão urbana ganhou 208,79 hectares, enquanto a vegetação perdeu 197,5 hectares. O professor Julio Pedrassoli, da USP e coordenador do tema Urbano do MapBiomas, afirma que o processo exige análise do planejamento das cidades e das alternativas de moradia.
Para ele, a expansão urbana rápida e decisões que priorizam interesses imobiliários ajudam a explicar a dificuldade de preservar vegetação. Nas favelas, o processo também envolve famílias que precisam de onde morar antes da chegada de infraestrutura. “As pessoas, por falta de outra opção, ocupam zonas que não têm interesse no mercado imobiliário”, diz.
Tipos de vegetação e variações
A planilha do MapBiomas separa a cobertura em três categorias: área urbanizada não vegetada, áreas verdes urbanas e vegetação periurbana, e vegetação intraurbana. A vegetação intraurbana fica dentro da mancha urbanizada, entre ruas e construções. A soma das duas categorias de verde foi usada para calcular a redução.
A maior queda ocorreu nas áreas verdes urbanas e vegetação periurbana, que passaram de 247,33 hectares para 46,36 hectares, redução de 81,3%. Já a vegetação intraurbana cresceu de 8,26 hectares para 11,73 hectares, alta de 42%. Pedrassoli explica que a expansão urbana pode mudar a classificação do verde que permanece.
Comunidades com maiores perdas de vegetação
Entre os 31 territórios, Homex, em Campo Grande, teve a maior redução absoluta. A vegetação passou de 45,24 hectares em 1985 para 0,53 hectare em 2025, queda de 44,71 hectares. O resultado se refere à transformação do terreno hoje delimitado como comunidade.
São Francisco, em Aquidauana, teve a segunda maior perda, com redução de 29,83 hectares. Na Favelinha, em Ponta Porã, o verde caiu 25,36 hectares. Munduruca, em Três Lagoas, perdeu 14,01 hectares, e Jatobazinho, em Corumbá, teve diminuição de 12,13 hectares.
Veja os territórios analisados
- Campo Grande: Comunidade Esperança, Mandela, Refriko, Samambaia, Só Por Deus, Homex, Morada dos Angicos, Pequi, Roda Velha, Jardim Botânico II, Jardim Campo Verde, Jardim Campo Alto/Sitiócas Alvorada, Portal da Lagoa, Nova Capital, Cidade dos Anjos e Uirapuru.
- Dourados: Santa Felicidade, Vitória, Estrela do Sul, Toca do Saci e Ibiza.
- Corumbá: Loteamento Pantanal, Popular Velha e Jatobazinho.
- Aquidauana: São Francisco e Vila Pinheiro.
- Três Lagoas: Munduruca e São João.
- Novo Horizonte do Sul: Novo Habitar.
- Ponta Porã: Favelinha.
- Sidrolândia: Acampamento Jatobá.
Risco de inundação em Dourados
Os dados também indicam áreas suscetíveis a inundações em duas comunidades de Dourados. Na Estrela do Sul, 0,52 hectare estava classificado com suscetibilidade muito alta em 2025. Na Toca do Saci, eram 0,86 hectare, somando 13,8 mil metros quadrados.
Pedrassoli ressalta que o MapBiomas trabalha com comunidades delimitadas pelo IBGE. Outras ocupações precárias podem estar fora da base, o que limita o alcance do diagnóstico. “A gente está trabalhando só com o que o IBGE oficialmente diz que é favela”, afirma.
O IBGE classifica como favelas os territórios com insegurança jurídica da posse. Também é necessário ao menos uma condição: precariedade de serviços públicos, construções fora dos padrões oficiais ou localização em áreas de risco ambiental.
Vegetação e calor nas cidades
A vegetação também influencia o calor urbano. Segundo Pedrassoli, áreas mais vegetadas tendem a ter menor intensidade de ilhas de calor. O mapeamento deve ajudar prefeituras a localizar problemas e orientar decisões sobre infraestrutura e preservação.
“Seria importante que o planejamento urbano passasse a usar os dados como evidência na tomada de decisão”, conclui o pesquisador.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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