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POLICIA

Gaeco investiga nove policiais civis por desvio de cocaína em MS

Operação Infiltrados II do Gaeco cumpre quatro prisões e 11 buscas; ex-chefe da Defron está entre os alvos.

05/11/2026 às 15:11
3 min de leitura
Nove policiais civis investigados pelo Gaeco por desvio de cocaína em MS
Colete do Gaeco.(Foto:Divulgação/Arquivo)

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O Gaeco deflagrou na quinta-feira (5) a Operação Infiltrados II. Nove policiais civis de Mato Grosso do Sul são investigados por desvio de cocaína apreendida. Entre os alvos está um delegado que já chefiou a Defron.

As investigações apontam que o grupo desviava carregamentos de cocaína apreendidos pela própria polícia. A droga era entregue a traficantes para abastecer o mercado ilegal. Os crimes teriam ocorrido entre junho de 2025 e maio de 2026, período em que todos estavam lotados na Defron.

Quem são os nove policiais investigados pelo Gaeco

O Gaeco cumpre quatro prisões preventivas e 11 buscas e apreensões. As medidas ocorrem em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná. Os nove alvos são:

  • Guilherme Scucuglia Cezar – delegado de Polícia e ex-chefe da Defron
  • Rogério da Rocha Ferreira
  • Rodrigo Carpes da Silva
  • Anderson Mirandola
  • Cassiano Rodrigues Teixeira
  • Eumer Cordeiro Barbosa
  • Oseias Medeiros da Silva
  • Gustavo dos Santos Sayao
  • João Marcos Garcia

O ex-chefe da especializada, delegado Guilherme Scucuglia Cezar, foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta fase.

Como funcionava o desvio de drogas

A denúncia é do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). De acordo com a acusação, os agentes públicos violavam a custódia dos entorpecentes de três formas:

  • Durante as apreensões: retirada direta de tabletes de cocaína.
  • No depósito da delegacia: subtração do material guardado.
  • No transporte para incineração: desvio da carga antes da destruição térmica.

Em setembro de 2025, o grupo teria desviado mais de 500 quilos de cocaína que seriam incinerados. A droga era repassada a traficantes parceiros, que a reintroduziam no mercado ilegal.

Desdobramentos e conexão com facções

A Infiltrados II é a continuação da primeira fase, deflagrada em 24 de setembro. Nessa etapa, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa foi preso e outros sete policiais foram afastados.

Hoffman e o investigador Douglas Tobias também são alvos da Operação Ifrit, da Polícia Federal, deflagrada na quarta-feira (4). Segundo a PF, os policiais davam suporte logístico ao esquema. Eles facilitavam o desvio para uma organização criminosa de alcance internacional ligada a grandes facções.

O que diz a Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil de MS afirmou que a Corregedoria-Geral já apurava o caso havia quatro meses. A apuração interna ocorria por Inquérito Policial e Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A nota cita remoções preventivas de servidores, mudanças nos protocolos de segurança e vistorias extras na delegacia.

O texto oficial reafirmou que considera inadmissível o uso da função pública para a prática de ilícitos. Eventuais desvios serão rigorosamente apurados, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. As defesas dos citados não foram localizadas ou preferiram não se manifestar.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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