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ESTADO

Gaeco mira 9 policiais civis por desvio de 500 kg de cocaína em MS

Operação Infiltrados II cumpre prisões contra agentes da Defron por desvio de drogas em Mato Grosso do Sul.

05/11/2026 às 08:57
3 min de leitura
Gaeco faz nova operação contra policiais civis por desvio de drogas em Mato Grosso do Sul
Colete de policial atuante no Gaeco, que cumpre mandados contra policiais civis (Foto: Divulgação/MPMS)

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O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Infiltrados II, que mira nove policiais civis lotados na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira). É a segunda operação em dois dias com prisão de policiais civis no Estado.

Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a investigação aponta mais uma vez desvio de drogas apreendidas e entrega a traficantes. Em uma única ação, teriam sido retirados mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser incinerados.

Mandados cumpridos em quatro cidades

Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR).

Conforme o Gaeco, o esquema funcionou pelo menos entre junho de 2025 e maio de 2026, período em que os policiais investigados estavam lotados na Defron. Os agentes teriam usado as próprias operações de combate ao tráfico para retirar parte das drogas apreendidas.

As três formas de desvio apontadas

A investigação identificou três maneiras de atuação do esquema. Os policiais retiravam parte das cargas durante as operações, subtraíam drogas armazenadas no depósito da delegacia ou desviavam o material durante o transporte para incineração.

Em setembro de 2025, mais de 500 quilos de cocaína desapareceram de uma carga destinada à destruição. A droga teria sido entregue a traficantes, responsáveis por revendê-la.

Relação com a primeira fase

A Operação Infiltrados II amplia as investigações iniciadas com a Operação Infiltrados, deflagrada em 24 de setembro deste ano. Na ocasião, o Gaeco cumpriu 26 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Entre os principais investigados estava o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), apontado pelo Ministério Público como uma das lideranças do esquema.

A primeira fase também teve como alvos os policiais civis Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Luiz Carlos de Souza, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Nilton César Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva e Marcos André Santos Chaves. Também foram investigados o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como “Paraíba”, o policial militar Alison Lemes Bezerra e o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos.

As investigações identificaram ainda a participação de pessoas ligadas ao tráfico, entre elas Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, apontado como intermediário entre policiais e compradores das drogas desviadas.

Não há informação se os nove policiais investigados nesta nova etapa também aparecem na relação de acusados da primeira fase.

Apoio e referência da operação

A Operação Infiltrados II tem apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco do Paraná. O nome faz referência à presença de integrantes de organizações criminosas dentro das próprias instituições responsáveis pelo combate ao crime.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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