MS registra alta de 32% nos homicídios e supera 2025
Mato Grosso do Sul já ultrapassou o total de homicídios de 2025, com alta de 32,6% até outubro, segundo a Sejusp.
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Mato Grosso do Sul registrou 431 homicídios até 31 de outubro, número que já supera as 402 mortes contabilizadas em todo o ano de 2025. A alta chega a 32,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram 325 vítimas, conforme dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).
Alta de 32% acende alerta em MS
Para o professor de Direito da Uniderp Rafael Sampaio, o crescimento de 32,6% em um período curto representa uma quebra de padrão estatístico. Ele associa o salto a episódios como chacinas, confrontos entre facções e tiroteios com policiais. “É natural que esses crimes apresentem aumentos ou diminuições, mas normalmente seguem uma tendência. Quando temos um crescimento de aproximadamente 32% em um período curto, ocorre uma quebra desse padrão, o que exige atenção”, afirma.
Fronteira com tráfico influencia estatísticas
A localização de MS, com fronteiras com Paraguai e Bolívia, é apontada como fator estratégico para o tráfico de drogas e disputas territoriais. Rafael explica que municípios usados como rotas do tráfico podem concentrar confrontos e execuções. “Quando identificamos uma concentração de mortes nesses municípios de fronteira ou em cidades que funcionam como rotas de passagem de drogas, precisamos observar o que está acontecendo”, destaca.
Nem todo homicídio tem ligação com facções
O especialista ressalta que brigas, desentendimentos entre vizinhos, conflitos familiares e violência por impulso também geram mortes. As circunstâncias dos crimes ajudam a diferenciar execuções de homicídios comuns. “Não podemos olhar apenas para o percentual geral. É necessário desmembrar os resultados para entender a origem do aumento”, pondera.
Mais vítimas por ocorrência e perfil das mortes
O aumento pode estar ligado ao número de vítimas em um único evento, como em chacinas, queima de arquivo e vinganças. O perfil das vítimas, como sexo, idade, situação profissional e antecedentes criminais, é essencial para entender a mudança. Rafael alerta que a alta pode não ser uniforme, com “pontos fora da curva” em meses ou trimestres específicos.
Sejusp diz que combate é prioridade
Procurada, a Sejusp afirmou que cada morte é investigada individualmente e que há integração entre inteligência, policiamento direcionado e investigação criminal. A pasta citou operações em regiões de fronteira e investimentos no fortalecimento das forças policiais como respostas ao avanço do crime organizado, e reforçou o trabalho contínuo para desarticular facções e preservar vidas.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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