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ESTADO

Milícia do Clã Haidar usa alçapão, tortura e execução na fronteira

PF aponta que grupo familiar de Ponta Porã mantinha estrutura de violência com sequestros, tortura e assassinatos na fronteira.

06/11/2026 às 16:05
3 min de leitura
Milícia do Clã Haidar é alvo da Operação Ifrit por tortura e execução na fronteira
Dogão, que aparece nas duas fotos da montagem, foi fuzilado no Paraná (Arte feita com IA)

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A Polícia Federal deflagrou a Operação Ifrit nesta semana contra o Clã Haidar, organização criminosa familiar de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. A investigação, que durou quatro anos, revelou uma estrutura definida como “ultraviolenta”, com sequestros, tortura, execuções e cobrança de dívidas do tráfico por meio de uma milícia privada.

Operação Ifrit cumpre 76 mandados de busca

A operação mobilizou cerca de 500 policiais federais e 44 servidores da Receita Federal em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.

  • Mandados: 76 de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e 1 de prisão temporária
  • Bloqueios: até R$ 300 milhões em contas bancárias
  • Bens: imóveis, fazendas, veículos e joias sequestrados

Execução de “Dogão” é ligada ao Clã Haidar

Um dos episódios atribuídos ao grupo é a execução de Cleber Ribeiro Segóvia, o “Dogão”, fuzilado em 28 de outubro de 2022, em Sertaneja (PR). Ele era apontado como integrante de alto escalão do PCC e disputava o controle do tráfico na fronteira.

A análise do celular de Maroan Fernandes Haidar Ahmed, de 26 anos, filho de um dos chefes do clã, recuperou uma conversa em que ele afirma ter matado uma pessoa. Para a PF, a declaração está relacionada ao homicídio. O crime foi cometido por pelo menos 15 homens que invadiram a casa de barco, renderam a família e deixaram cerca de 150 cartuchos no local.

Maroan cumpre pena no presídio federal de Porto Velho (RO) por um homicídio em Mato Grosso.

Três paraguaios foram torturados em alçapão

Entre os dias 18 e 19 de julho de 2025, três cidadãos paraguaios foram sequestrados e levados para uma casa em Ponta Porã. As vítimas teriam sido mantidas no alçapão da cozinha e submetidas a agressões. As gravações foram encontradas na nuvem de um integrante morto da organização.

A PF identificou João Fernando Andrade de Carvalho e Nelson Eduardo Carballo Olmedo como suspeitos de participar e comandar a sessão de tortura. Bassam Hassan Haidar Ahmed, os irmãos Adel Hassan Haidar e Nasser Haidar, além de Adule Vasques Haidar, constam como possíveis mandantes. O documento não informa o motivo do sequestro nem o que ocorreu com as vítimas.

Cobrança de dívidas usa incêndios e tiros

Conversas recuperadas do iPhone 13 de Maroan mostram a atuação do grupo na cobrança de dívidas de drogas. Os alvos eram conhecidos como “Xuxu”, “Cachorrão” e “Pollo”. Maroan teria ordenado sequestros, incêndios de veículos e disparos contra residências.

Em um dos diálogos, um interlocutor chamado “Bunda Novo” relata a vigilância de alvos e envia vídeos de automóveis incendiados. Maroan chegou a demonstrar insatisfação porque o primeiro ataque não produziu o resultado esperado. Em outra conversa, “Mi” aparece exibindo armas e depois relata tiros contra a casa de um devedor.

Milícia privada e plano de caça virtual

A investigação encontrou indícios de uma equipe de “soldados” à disposição do grupo para ações violentas. Maroan também negociou com um provável hacker a localização de alvos por meio de links enviados por celular. O serviço incluiria o uso de VPN para blindar o rastreamento e a retirada de conteúdos de sites de notícias.

O hacker pediu R$ 100 mil pela empreitada. Não há confirmação de que o acordo foi fechado.

Imóveis usados como bunkers também aparecem nas conversas. Maroan controlava os ocupantes por câmeras, determinava punições e ordenava a distribuição de dinheiro.

Clã Haidar movimentou R$ 500 milhões

As investigações apontam que o Clã Haidar movimentou mais de R$ 500 milhões em cerca de dois anos com tráfico internacional de drogas e armas, usando empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro. A organização teria ligações com PCC e PGC, além de colaboração de agentes de segurança pública.

Entre os investigados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-chefe da Denar, suspeito de fornecer informações sigilosas e proteção ao grupo. Ele está preso desde setembro pela Operação Infiltrados, do Gaeco. A defesa dele contesta as acusações.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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