Motoristas gastam até R$ 16,5 mil com buracos em Campo Grande
Buracos nas ruas de Campo Grande geram prejuízos que chegam a R$ 16,5 mil, levando motoristas a arcar com reparos caros.
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Buracos nas ruas de Campo Grande estão deixando motoristas com prejuízos que vão de centenas a milhares de reais. O professor Bruno Nóbrega terá de comprometer parte do décimo terceiro salário para pagar R$ 2.802 após atingir um buraco. Já o proprietário de uma BMW X5, avaliada em quase R$ 1 milhão, gastou R$ 16,5 mil com três pneus danificados em apenas um mês, segundo o mecânico que o atendeu.
Professor gasta R$ 2,8 mil após bater em buraco
Na noite de quinta-feira (5), por volta das 21h, Bruno dirigia pelo bairro Monte Líbano quando atingiu um buraco que não conseguiu enxergar. O trecho estava escuro e sem iluminação, dificultando a identificação. O impacto danificou a bandeja direita, o coxim do motor, o amortecedor direito e o kit do amortecedor. Somados mão de obra, alinhamento e cambagem, o conserto ficou em R$ 2.802.
Sem condições de dirigir, Bruno deixou o veículo no local e gastou cerca de R$ 300 com guincho e transporte por aplicativo. Nos últimos seis meses, ele já havia trocado quatro pneus usados, conhecidos como “meia-vida”, que custam entre R$ 150 e R$ 200 cada. Agora, parte do décimo terceiro será destinada ao conserto.
BMW X5 tem três pneus danificados em um mês
Na Auto Rodas, na Avenida Ceará, o mecânico Hélio Alves Lemes relata um caso ainda mais caro. Um cliente, proprietário de uma BMW X5 modelo 2026, danificou três pneus em um mês ao passar por buracos. Cada unidade custa aproximadamente R$ 5,5 mil. Segundo Hélio, o motorista chegou a cogitar vender o veículo ou deixá-lo na garagem e usar transporte por aplicativo.
A oficina recebe de quatro a seis carros por dia com problemas causados por impactos em buracos. Rodas empenadas e pneus cortados lideram os atendimentos, mas amortecedores, coxins e bieletas também são afetados. “De bater em buraco, cortar pneu e entortar a roda. Isso aí é o mais comum”, diz Hélio. Desempenar uma roda custa entre R$ 80 e R$ 250, conforme o tamanho. Pneus comuns variam de R$ 300 a R$ 400, enquanto modelos de luxo podem ultrapassar R$ 5 mil.
Oficinas e borracharias registram aumento de demanda
Na Avenida Afonso Pena, em frente ao Shopping Campo Grande, o empresário Abadial Garcia Diniz precisou ampliar a estrutura para acompanhar a demanda. Além do estabelecimento físico, mantém duas unidades móveis de socorro. Comprou duas máquinas de vulcanização, elevando de três para cinco o número de equipamentos. Cada uma custa cerca de R$ 2 mil. A equipe passou de duas para quatro pessoas.
O movimento praticamente dobrou, de cerca de dez para vinte atendimentos diários. Um remendo simples custa R$ 30, enquanto a vulcanização varia de R$ 60 a R$ 130. “Eu tento ser um pouco mais consciente, porque não está fácil para todo mundo”, diz Abadial.
Entre os clientes estava Lhuana Delmondes, que perdeu dois pneus em menos de 15 dias, após passar por buracos na mesma via. No primeiro caso, o pneu rasgou e não teve conserto. No segundo, foi possível recuperá-lo. Somente neste ano, ela comprou dois pneus novos e consertou outros dois. “Às vezes a gente tem que escolher em qual que a gente vai cair”, desabafa.
Moradores do Jardim Mansur cobram reparos
Nas ruas do Jardim Mansur, moradores espalharam cartazes cobrando providências diante de buracos que persistem mesmo após serviços de manutenção. O vigilante Paulo Teixeira Alecrim afirma que os buracos existem há aproximadamente um ano. “Eu já vi pneu cortado, eu já vi cara empurrando carro, eu já vi carro quebrado”, relata. Um motorista chegou a atingir um poste tentando desviar de um buraco.
José Aparecido Soares conta que equipes fizeram tapa-buracos em alguns trechos, mas as irregularidades reapareceram. “É prejuízo, filha, é prejuízo. Tudo é prejuízo”, lamenta. Em apenas 60 dias, Matheus Fedrizzi acumulou cerca de R$ 2 mil em prejuízos com quatro pneus danificados. O episódio mais recente aconteceu quando a esposa dele estourou os dois pneus do lado direito do veículo em uma rotatória. Desde então, ele passou a dirigir mais devagar.
Como pedir ressarcimento à prefeitura
A advogada Larissa Brandão, presidente da Comissão Estadual de Defesa do Consumidor da OAB/MS, alerta que motoristas com veículos danificados por buracos podem solicitar indenização ao poder público, desde que comprovem a relação entre o acidente e o prejuízo. A responsabilidade da prefeitura está amparada pelo artigo 37, parágrafo 6º, da Constituição Federal, e pelo artigo 1º, parágrafo 3º, do Código de Trânsito Brasileiro.
O ressarcimento pode incluir pneus, rodas, suspensão, guincho e outros reparos. Dependendo das circunstâncias, também é possível pedir indenização por lesões, danos estéticos, perda de renda e danos morais. Para isso, é necessário comprovar o acidente e os danos. Fatores como excesso de velocidade ou sinalização podem influenciar a análise.
Larissa recomenda:
- Registrar o local: fotografar e filmar o buraco e o veículo.
- Anotar detalhes: endereço, data, horário e testemunhas.
- Fazer boletim de ocorrência: e guardar orçamentos, notas fiscais e recibos de guincho.
Com a documentação, o motorista pode apresentar pedido administrativo ao município ou recorrer à Justiça. O prazo para ação é, em regra, de cinco anos. A Ouvidoria deve responder em até 30 dias, prorrogáveis por mais 30, conforme a Lei Federal 13.460/2017. O TJMS já reconheceu pedidos de indenização por prejuízos em veículos e danos estéticos.
A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para comentar os serviços de tapa-buracos e os pedidos de ressarcimento, mas ainda não respondeu.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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