Integrante do Clã Haidar usava sedã com blindagem proibida para civis
Chevrolet Vectra com blindagem de uso restrito foi apreendido pela PF na Operação Ifrit contra o Clã Haidar.
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Um Chevrolet Vectra preto, fabricado em 2005 e modelo 2006, estava entre os veículos apreendidos na Operação Ifrit, da Polícia Federal, contra o Clã Haidar, suspeito de tráfico internacional de armas e drogas. O sedã chama atenção pela blindagem nível 4, a máxima realizada no Brasil e proibida para civis.
O carro foi localizado em um galpão apontado como escritório de Adel Hassan Haidar, na Rua São Sepé, em Campo Grande. O veículo está registrado em nome da empresa Adel Hassan Haidar ME, de Ponta Porã, que oficialmente atua no ramo de hospedagem.
Na mesma frota apreendida, havia outros veículos de destaque:
- Mustang Shelby vermelho
- Ford de 1920, de colecionador
- Jipe azul
- Camionetes Toyota Hilux
Clã Haidar mantinha Vectra blindado em escritório
A blindagem nível 4 é superior à permitida para veículos particulares, que é a nível III-A, conforme as regras do Exército Brasileiro. O nível III pode ser admitido em situações excepcionais. Esse tipo de proteção resiste a disparos de armamentos de alta potência e é de uso institucional, para viaturas ou carros de transporte de valores.
Além da blindagem, o Vectra tem sirene, equipamento autorizado apenas para carros de emergência e segurança pública.
Dono do carro sobreviveu a atentado com mais de 100 tiros
Conhecido como Adule, Adel Hassan Haidar, de 60 anos, está entre as 25 pessoas com ordem de prisão decretada na operação. Conforme apuração com fontes policiais, ele passou a usar o Vectra depois de sobreviver a um atentado no qual foram disparados mais de cem tiros contra ele. Quatro tiros o teriam atingido.
A reportagem não identificou ocorrência sobre o episódio no Brasil. A hipótese levantada no meio policial é de que o atentado tenha ocorrido no Paraguai, onde a família também tem negócios, ou não tenha sido comunicado às autoridades. A defesa de Adel não foi localizada; o espaço está aberto para manifestações.
Estrutura do clã tinha divisão de tarefas e arsenal
A decisão judicial que fundamentou a Operação Ifrit descreve a organização familiar como uma estrutura com divisão de tarefas, operadores financeiros, responsáveis pelo transporte de drogas, seguranças e administradores dos negócios familiares.
No núcleo de apoio havia agentes de segurança pública, entre eles o delegado Hoffman D´Ávila, que já chefiou duas unidades da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul especializadas no combate ao tráfico e ao crime organizado. Ele aparece em imagens participando de uma festa com karaokê em uma casa que seria de Adel.
O arsenal citado na investigação inclui:
- Fuzis
- Metralhadoras calibre .50
- Granadas
- Pistolas
O grupo também mantinha bunkers para abrigar uma milícia, além de investir em equipamentos de comunicação e vigilância, como drones e circuito interno de câmeras.
Interesse em blindagem aparecia em conversas na prisão
Gravações de visitas a Maroan Fernandes Haidar Ahmed, sobrinho de Adel e filho de Bassan Hassan Haidar, no Presídio Federal de Porto Velho (RO), indicam que ele continuava a participar de decisões dos negócios familiares. Entre os assuntos estava a sociedade em uma empresa de blindagem de veículos.
A documentação, porém, não permite afirmar que essa firma tenha blindado o Vectra de Adel.
Blindagem e sirene geram consequências legais
O artigo 16 do Estatuto do Desarmamento prevê pena de três a seis anos de prisão, além de multa. A medida vale para posse ilegal de armas de fogo, acessórios ou munições de uso restrito.
Já a instalação ou utilização de sirene pode configurar infração grave de trânsito, conforme o artigo 230, inciso XII, do Código de Trânsito Brasileiro. A punição é multa de R$ 195,23, cinco pontos na CNH e retenção do veículo para regularização.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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