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ESTADO

Preso com nome de morto, ‘Fantasma’ negociava cocaína com Clã Haidar

Investigação da Operação Ifrit revela que narcotraficante 'Fantasma' usava documentos de falecido e negociava cocaína com o Clã Haidar.

07/11/2026 às 07:27
3 min de leitura
Preso em MS, 'Fantasma' negociava cocaína com o Clã Haidar usando nome de morto
Passaporte falso usado por Jorge Adalid Granier Ruiz para despistar polícia (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

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Preso em 28 de março de 2023 pela Polícia Rodoviária Federal, Jorge Adalid Granier Ruiz, conhecido como ‘Fantasma’, usava documentos de um boliviano morto em 2012. A Operação Ifrit revelou que a identidade falsa foi fornecida por Maroan Fernandes Haidar Ahmed, do Clã Haidar.

O narcotraficante, um dos mais procurados da América do Sul, foi abordado na BR-163, em Jaraguari (MS), durante fiscalização de rotina. Ele dirigia uma Toyota Hilux sem drogas ou armas, mas apresentou documentos em nome de Jorge Mendez Ardaya, falecido há mais de uma década.

Identidade falsa e ligação com o Clã Haidar

A investigação atribui a Maroan a falsificação dos documentos usados por Granier. Segundo a decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Maroan teria fornecido passaporte, RG e outras cédulas. A Polícia Federal também identificou envio de fotografias e documentos relacionados a um mandado de busca na Bolívia.

Granier, ao ser preso, disse que comprou as identidades em Belém por US$ 6 mil. Ele também passou por cirurgia bariátrica e lipoaspiração para mudar a aparência, o que reforçou o apelido de ‘Fantasma’.

Negócios milionários e prestação de contas

Os registros financeiros mostram uma prestação de contas de Maroan, identificado como ‘Transval’, para Granier, chamado de ‘Pariente’. O documento, intitulado ‘PASSEI PARIENTE’, tinha valor inicial de US$ 586.650, atualizado para US$ 892.200.

  • Michael Harold El Hage: recebeu mais de US$ 120 mil em pagamentos.
  • Rufino Rosell: recebeu mais de US$ 350 mil em operações ligadas ao fornecedor.

Cocaína para a Europa e compra de armas

Granier e Maroan mantinham contato por videochamadas para acertar vendas a compradores espanhóis em Madri e Valência. Em um diálogo, Granier informou ter enviado carga pelo porto do Uruguai com destino a Valência, Tenerife, Barcelona e Ilhas Canárias.

A investigação também encontrou conversas sobre aquisição de armas e munições, não vendidas diretamente por Granier, mas por pessoas de confiança dele.

Estrutura aérea com pistas e rotas

Análise dos aparelhos apreendidos revelou coordenadas de pistas de pouso, frequências de rádio e rotas aéreas. Os registros indicavam operações com origem na Bolívia e destinos no Brasil, Paraguai e Argentina.

Também foram encontradas informações sobre aeronaves, uma propriedade rural boliviana com pista de pouso e responsáveis por deslocamentos entre Cuiabá e Ponta Porã.

Confiança e proteção familiar

Em um diálogo com Maroan, Granier contou que estava tomando cerveja com Bassam, pai do interlocutor, e que Bassam havia deixado um fuzil para ele dormir. Para a Polícia Federal, isso demonstra a relação de confiança entre eles.

Quem é Maroan Fernandes Haidar Ahmed

Maroan integra a segunda geração do Clã Haidar, filho de Bassam e sobrinho de Adel e Nasser. Ele foi condenado a 21 anos e seis meses de prisão pela morte de Fábio Batista da Silva, ocorrida em 2018 em Rondonópolis (MT).

Preso em janeiro de 2023, antes da captura de Granier, Maroan teria passado as negociações para Adule Vasques Haidar, seu primo, conforme a investigação.

Prisão e extradição de ‘Fantasma’

Granier foi preso em 28 de março de 2023, após abordagem da PRF. Ele era procurado pela Interpol desde abril de 2022, sob suspeita de transporte de 389 quilos de cocaína na Argentina.

Ficou 225 dias na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira, em Campo Grande, e foi extraditado para a Argentina em 10 de novembro de 2023, em operação sigilosa autorizada pelo ministro Luiz Fux e pelo presidente Lula.

Operação Ifrit e a organização criminosa

A Operação Ifrit, deflagrada na quarta-feira (4), investiga uma organização de base familiar sediada na fronteira com o Paraguai. O grupo movimentou pelo menos R$ 500 milhões em dois anos.

  • Mandados de busca e apreensão: 76
  • Prisões preventivas: 25
  • Prisão temporária: 1
  • Monitoramento eletrônico: 3
  • Policiais civis afastados: 3

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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