Delegado orienta como sair vivo de um sequestro relâmpago
Delegado da Depac Cepol explica como identificar sinais de perigo e agir para não agravar risco em sequestro relâmpago.
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Ser abordado por criminosos, obrigado a entrar em um veículo e realizar transferências bancárias sob ameaça. Em um sequestro relâmpago, decisões tomadas em poucos segundos podem colocar a vida da vítima em risco. Para orientar como atravessar essa situação sem agravar o perigo, o Campo Grande News conversou com o delegado Edson Caetano, da Depac Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada).
Fique atento aos sinais de alerta
Segundo o delegado, alguns comportamentos podem indicar que a vítima é alvo de criminosos. Ele recomenda atenção redobrada quando:
- Sequestro em andamento: ser seguido por um carro ou moto por vários quarteirões;
- Observação: notar pessoas paradas perto do veículo, da garagem ou de caixas eletrônicos sem motivo aparente;
- Provocação: pequenas colisões de trânsito ou alertas sobre pneu furado para forçar a parada;
- Encontros marcados: aplicativos de relacionamento com mudanças de local para lugares isolados no último momento.
O que fazer durante o sequestro
A prioridade é preservar a própria vida e a de quem estiver junto. “Dinheiro, celular e carro podem ser recuperados; a vida, não”, enfatiza o delegado. Mantenha a calma, obedeça às ordens e evite reações bruscas.
Não tente reagir, discutir, gritar ou desarmar o criminoso. Movimentos como levar a mão ao bolso ou à bolsa sem avisar podem ser interpretados como ameaça. Mantenha as mãos visíveis, fale com calma e avise antes de qualquer ação, como pegar o celular.
Evite encarar o sequestrador ou dizer que vai reconhecê-lo. Não minta sobre saldo, senhas ou limites, e não tente fugir de forma arriscada, como pular do veículo em movimento.
Se houver exigência de transferências bancárias, não recuse nem negocie. “Colaborar durante a ação é essencial. Recusar ou barganhar irrita os criminosos e aumenta o risco de agressão”, orienta. As providências financeiras devem ser tomadas depois que a vítima estiver em segurança.
Medidas para reduzir prejuízos
Para diminuir o impacto, o delegado sugere precauções antecipadas, como reduzir os limites de Pix e outras transferências, especialmente durante a noite. “Pelas regras do Banco Central, o limite padrão entre 20h e 6h é de R$ 1.000,00 para pessoa física, e o cliente pode diminuí-lo”, explica.
Outra opção é ativar o prazo de carência para aumento de limites, o que impede o criminoso de elevar valores na hora. Também é recomendável verificar com o banco a possibilidade de bloquear empréstimos pré-aprovados no aplicativo.
Quando possível, usar um “celular de rua” com apenas uma conta e pouco dinheiro é uma estratégia eficaz. “Deixe os aplicativos com saldo maior e investimentos em outro aparelho guardado em casa. Assim, a vítima pode dizer que seu limite é baixo com verdade”, afirma.
O que fazer após a libertação
Assim que for libertado, procure um local seguro e movimentado e peça ajuda. A Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190 para iniciar as buscas. Registre boletim de ocorrência na Polícia Civil.
Não limpe o carro se ele foi usado pelos criminosos. “Pode haver impressões digitais e outros vestígios”, alerta o delegado. Somente depois de garantir a segurança, contate o banco para bloquear contas, cartões e informar empréstimos feitos sem autorização.
Se o celular foi levado, bloqueie o chip e o aparelho. Guarde todos os protocolos de atendimento do banco. Caso o SAC não resolva, procure a ouvidoria e, em seguida, registre reclamação no Banco Central.
Informações que ajudam a polícia
No registro da ocorrência, forneça data, horário e local da abordagem e da liberação. Sobre os suspeitos, informe características como altura, cor da pele, tatuagens, cicatrizes, sotaque, roupas e apelidos. Se houver veículo, mencione modelo, cor, placa, adesivos e amassados.
O trajeto percorrido, o tempo de deslocamento, armas utilizadas, transações e empréstimos realizados, objetos levados e conversas durante a ação também são relevantes. “Nenhum detalhe é pequeno demais. Um apelido pode ser decisivo para a investigação”, destaca.
A polícia pode rastrear o dinheiro transferido, identificar contas laranja, analisar câmeras, leitores de placas e dados de telefonia. “Cada parada da vítima é uma chance de ter testemunha ou câmera”, conclui.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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