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ESTADO

MS planejou torre de 11 andares antes de erguer o Parque dos Poderes

Projeto de Sérgio Bernardes, em 1979, previa prédio de 33 metros para concentrar secretarias em Mato Grosso do Sul, mas foi descartado.

08/11/2026 às 08:27
3 min de leitura
Maquete histórica mostra projeto de torre de 11 andares para a Governadoria de MS antes do Parque dos Poderes
Maquete histórica mostra projeto de Sérgio Bernardes para a Governadoria de MS. (Imagem: reprodução)

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Antes de o Parque dos Poderes ser ocupado por prédios baixos e área arborizada, a sede administrativa de Mato Grosso do Sul chegou a ser projetada como uma torre de 11 andares e 33 metros de altura. A proposta do arquiteto Sérgio Bernardes surgiu em 1979, durante o governo de Harry Amorim Costa, e foi descartada pelo sucessor, Pedro Pedrossian.

O projeto previa um edifício com volumes geométricos projetados a partir de um núcleo central, destinado à Governadoria e às secretarias estaduais. Sob Pedrossian, no entanto, a opção foi distribuir os órgãos em prédios integrados à paisagem, o que resultou na configuração atual do Parque dos Poderes, em Campo Grande.

Projeto de Sérgio Bernardes para Mato Grosso do Sul

Sérgio Bernardes é considerado um dos grandes nomes da arquitetura moderna brasileira. Ele ganhou reconhecimento nacional e internacional por projetos inovadores, marcados pela ousadia estrutural e pela experimentação de formas e materiais. O nome do arquiteto está entre os primeiros estudos investigados pelo professor Júlio Botega, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFMS.

Na época, Mato Grosso do Sul ainda estruturava a administração após ser criado, em 1977, e instalado, em 1979. A construção de uma sede administrativa fazia parte do processo de consolidar Campo Grande como capital. Segundo Botega, os estudos iniciais de Sérgio Bernardes foram desenvolvidos no Rio de Janeiro, sem realização de concurso.

Vista de cima, a construção apresentava volumes distribuídos simetricamente em uma grande área circular conectada ao sistema viário. Uma maquete produzida por estudantes de Arquitetura e Urbanismo da UFMS, na disciplina Construir e Habitar IV, permite visualizar a proposta que nunca saiu do papel.

Burle Marx também participou dos estudos

O paisagista Roberto Burle Marx, outro nome de projeção nacional e internacional, também participou das primeiras ideias para o novo estado. Referências a ele foram identificadas pela equipe de Botega em documentos relacionados ao planejamento e à conservação da área que hoje integra o Parque Estadual do Prosa.

Os desenhos originais, porém, ainda não foram localizados. Sem esse material, a pesquisa não consegue determinar todos os elementos previstos nem estabelecer quais características da concepção inicial foram incorporadas ao parque. Para Botega, recuperar a participação de Bernardes e Burle Marx é essencial para reconstruir a história do centro administrativo.

Palácio do Governo também ficou no papel

Anos depois da proposta de Sérgio Bernardes, outro projeto de sede do Executivo deixou de ser construído. O Palácio do Governo, desenvolvido por arquitetos de Mato Grosso do Sul, entre eles Walter Cortez, integrava o planejamento posterior do Parque dos Poderes.

Segundo Botega, dos dez edifícios previstos nessa configuração do parque, nove foram construídos:

  • Secretarias estaduais: oito edifícios foram erguidos
  • Palácio Popular da Cultura: hoje é o Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo
  • Palácio do Governo: único edifício previsto que não se concretizou

Lógica urbana semelhante à de Brasília

A investigação da UFMS também procura compreender como a construção do Parque dos Poderes alterou a organização de Campo Grande. Para Botega, a escolha de uma área afastada da ocupação urbana consolidada, que chegava aproximadamente à Avenida Ceará, seguiu lógica semelhante à de Brasília.

Na capital federal, as instituições públicas foram concentradas em um centro administrativo separado das áreas tradicionais de circulação da população. Em Campo Grande, o Parque dos Poderes cumpriu papel semelhante ao reunir órgãos estaduais em uma região distante do antigo centro.

Tombamento nacional em estudo

Ainda em fase inicial, a pesquisa busca documentos e registros que ajudem a reconstruir as decisões tomadas durante a implantação do centro administrativo. Essas questões integram o estudo da UFMS para subsidiar a discussão sobre o tombamento nacional do Parque dos Poderes.

A proposta considera não apenas os edifícios, mas também o traçado das vias, a organização dos espaços e a vegetação preservada.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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