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ESTADO

Operações contra tráfico miram 19 policiais em MS em 42 dias

Três operações em 42 dias miram policiais civis e militares em MS sob suspeita de desvio de drogas apreendidas.

08/11/2026 às 12:06
3 min de leitura
Operações contra o tráfico miram 19 policiais em MS em 42 dias
O ex-delagdo da Denar, Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o ex-delegado da Defron, Guilherme Scucuglia. (Foto: Montagem/Arquivo)

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Em 42 dias, três operações policiais em Mato Grosso do Sul atingiram 19 policiais sob suspeita de desviar drogas apreendidas e devolvê-las ao tráfico. A primeira fase foi deflagrada em 24 de setembro, quando o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa foi preso. A segunda ocorreu em 4 de novembro, com nova ordem de prisão contra ele. Um dia depois, a terceira alcançou nove policiais civis que trabalharam na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), em Dourados.

Operação Infiltrados prende delegado e policiais

Na primeira fase da Operação Infiltrados, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados e Terenos.

  • Mandados: 24 prisões preventivas, 2 prisões temporárias e 38 buscas e apreensões.
  • Alvos: policiais civis, militares, um policial penal e um ex-policial civil.
  • Presos: o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, o policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos e os investigadores Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Douglas Tobias.

A apuração começou em outubro de 2025, a partir de provas colhidas nas operações Traquetos e Blindspot. O Gaeco aponta Hoffman como um dos líderes do grupo suspeito de revender drogas apreendidas, principalmente cocaína. Segundo a investigação, os policiais deixavam parte das cargas fora dos registros oficiais ou retiravam dos depósitos material já contabilizado.

Na época, a defesa de Nelson afirmou que ainda desconhecia os detalhes da investigação.

Ifrit mira organização familiar e desvio de cocaína

Hoffman já estava preso quando a Polícia Federal cumpriu a segunda ordem de prisão preventiva contra ele, em 4 de novembro. A Operação Ifrit, deflagrada com a Receita Federal em sete estados, investiga uma organização familiar com base na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

A PF suspeita que o grupo movimentou cerca de R$ 500 milhões em dois anos e que aproximadamente 2 toneladas de cocaína foram retiradas do depósito da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), que Hoffman já comandou. No lugar da droga, teria sido deixada uma mistura adulterada.

  • Ganho atribuído a Hoffman: R$ 15 milhões com a venda da cocaína.
  • Transferência: após o novo mandado, o delegado foi levado ao Presídio Federal de Campo Grande.
  • Apreensão: um Ford Mustang Shelby GT500 avaliado em R$ 370 mil, na ação contra Douglas Tobias.

O investigador Andrey Elesbão Silva foi preso preventivamente e afastado da função. Douglas Tobias, que havia obtido a revogação da prisão preventiva na véspera, passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

O advogado José Roberto da Rosa, que defende Hoffman, negou que o delegado tenha recebido R$ 15 milhões. Contestou as provas citadas nas investigações e afirmou que o patrimônio do cliente é compatível com os rendimentos declarados. Também questionou a transferência para o sistema prisional federal.

Infiltrados II atinge ex-integrantes da Defron

Na quinta-feira (5), o Gaeco cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). Nove policiais civis que atuaram na Defron foram alvo de medidas judiciais.

A investigação abrange fatos ocorridos entre junho de 2025 e maio de 2026. Um dos episódios investigados envolve mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ter sido incinerados em setembro de 2025. Segundo o Gaeco, a droga teria voltado ao tráfico. Também há suspeitas de desvios durante apreensões e de retirada de cargas guardadas no depósito da delegacia.

Foram alvos:

  • Ex-chefe da Defron: delegado Guilherme Scucuglia Cezar, lotado na Derf, em Campo Grande.
  • Investigadores: Rodrigo Carpes da Silva, Anderson Mirandola, Cassiano Rodrigues Teixeira, Eumer Cordeiro Barbosa, Oseias Medeiros da Silva e Rogério da Rocha Ferreira.
  • Escrivães: João Marcos Garcia e Gustavo dos Santos Sayão.

A Justiça rejeitou o pedido de prisão preventiva de Guilherme e autorizou buscas na casa e nos locais de trabalho do delegado. José Roberto da Rosa, que também o representa, afirmou que nada de interesse para a apuração foi apreendido. Segundo o advogado, o nome do delegado entrou na investigação por uma interpretação equivocada de conversas entre terceiros.

Investigações seguem em Mato Grosso do Sul

As três operações ocorreram em um intervalo de 42 dias e somam 19 policiais atingidos por medidas judiciais. O Ministério Público ainda não detalhou o que atribui a cada policial. As investigações continuam em andamento.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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