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Brasil condena ataques de Israel e dos EUA a instalações no Irã

23/06/2025 às 06:30
3 min de leitura
Brasil condena ataques de Israel e dos EUA a instalações no Irã Governo vê com grave preocupação escalada militar no Oriente Médio

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Itamaraty alerta que a escalada militar no Oriente Médio ameaça a paz global e viola acordos internacionais

O governo brasileiro manifestou forte preocupação com a escalada militar no Oriente Médio e condenou duramente os ataques realizados por Israel e, mais recentemente, pelos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã. A informação foi divulgada em nota oficial do Ministério das Relações Exteriores (MRE) na tarde deste domingo (22).

De acordo com o comunicado, essas ações violam diretamente a soberania iraniana, além de ferirem princípios fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. O Itamaraty ainda alertou que qualquer ataque contra instalações nucleares representa uma séria ameaça à vida da população civil, uma vez que expõe milhares de pessoas ao risco de contaminação radioativa e a desastres ambientais de grande proporção.

Além disso, o Brasil reforçou sua posição histórica em defesa do uso da energia nuclear exclusivamente para fins pacíficos. O país também reiterou ser totalmente contra qualquer forma de proliferação nuclear, sobretudo em regiões marcadas por conflitos e instabilidade, como é o caso do Oriente Médio.

Governo pede fim dos ataques e defende solução diplomática

O Ministério das Relações Exteriores também repudiou os ataques realizados contra áreas densamente povoadas. Segundo a nota, essas ações vêm gerando um número cada vez maior de vítimas e danos severos à infraestrutura civil, incluindo hospitais, que possuem proteção garantida pelas normas do direito internacional humanitário.

“O governo brasileiro volta a fazer um apelo para que todas as partes envolvidas adotem máxima contenção e busquem uma solução diplomática que interrompa o ciclo de violência. É urgente abrir espaço para negociações de paz”, destacou o MRE.

A nota ainda reforça que as consequências dessa escalada militar podem ser irreversíveis não só para a paz e estabilidade no Oriente Médio, mas também para o mundo todo. Além disso, a situação coloca em risco o regime global de não proliferação e desarmamento nuclear.

Entenda o conflito

A tensão aumentou significativamente após Israel realizar um ataque surpresa contra o Irã no último dia 13, alegando que Teerã estaria próximo de desenvolver armas nucleares. Na sequência, os Estados Unidos bombardearam três usinas nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Esfahan — no sábado (21).

Por outro lado, o Irã nega veementemente qualquer intenção de produzir bombas atômicas. Segundo o governo iraniano, o programa nuclear do país tem finalidade exclusivamente pacífica e, inclusive, fazia parte de negociações com os Estados Unidos para garantir o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), do qual é signatário.

Entretanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vinha apontando falhas do Irã no cumprimento de algumas obrigações, embora nunca tenha apresentado provas concretas de que o país desenvolvia armamentos nucleares. O Irã, por sua vez, acusa a AIEA de agir de forma politicamente influenciada por potências ocidentais, como Estados Unidos, França e Reino Unido.

Curiosamente, enquanto Israel se opõe abertamente a um Irã com armas nucleares, documentos históricos revelam que o próprio Estado israelense mantém um programa nuclear secreto desde os anos 1950. Segundo estimativas, Israel possui atualmente pelo menos 90 ogivas nucleares — número que algumas fontes apontam ser ainda maior.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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