INSS estima iniciar ressarcimento de aposentados no dia 24 de julho
Mais de 3 milhões de aposentados e pensionistas devem ser ressarcidos com correção pelo IPCA
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (24), uma proposta para começar a devolver os valores descontados irregularmente de aposentados e pensionistas. Se aprovado pelo ministro Dias Toffoli, relator da ação, o pagamento começará no dia 24 de julho, com lotes quinzenais e correção monetária pelo IPCA.
A proposta foi feita durante audiência de conciliação convocada pelo STF. A ideia é realizar os depósitos a cada 15 dias, beneficiando 1,5 milhão de pessoas por lote. Ao todo, 3,4 milhões de beneficiários reconheceram os descontos como indevidos após receberem notificações do próprio INSS.
Segundo o presidente do instituto, Gilberto Waller, o objetivo é garantir um ressarcimento célere e completo. “Queremos resolver isso de forma rápida e definitiva, com um grande acordo que proteja os aposentados e pensionistas”, afirmou. Ele também destacou que ainda existem questões jurídicas sensíveis, como prazos prescricionais, índices de correção e até possíveis ações por danos morais.
A audiência integra a ação movida pela Advocacia-Geral da União (AGU), que busca validar judicialmente o cronograma de pagamento. Na semana passada, Dias Toffoli já havia suspendido a prescrição de ações judiciais relacionadas ao tema, o que impede que processos percam validade por decurso de tempo. Essa decisão protege os direitos dos beneficiários enquanto a questão segue em análise.
Contudo, alguns pedidos da AGU ainda não foram avaliados, como a liberação de crédito extraordinário e a exclusão dos ressarcimentos do teto de gastos de 2025 e 2026. Toffoli informou que esses pontos serão discutidos conforme o andamento da ação no STF.
Até agora, a Justiça Federal já bloqueou cerca de R$ 2,8 bilhões em bens de empresas e indivíduos investigados por envolvimento nas fraudes. Segundo a Polícia Federal, os descontos irregulares ocorreram entre 2019 e 2024, totalizando R$ 6,3 bilhões subtraídos indevidamente de aposentados e pensionistas.
As investigações continuam por meio da Operação Sem Desconto, que identificou um esquema nacional de cobranças não autorizadas em benefícios do INSS.
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
Ver mais matérias
Comentários