Câmara de Paranaíba afasta servidoras acusadas de desviar R$ 190,9 mil

Funcionárias teriam falsificado a assinatura do ex-presidente para aumentar os próprios salários; a Justiça determinou o afastamento por 180 dias e o bloqueio de sistemas.

A atual presidente da Câmara Municipal de Paranaíba, Wanice Luciana de Oliveira, oficializou nesta quarta-feira (04/02/2026) o afastamento de duas servidoras investigadas por um esquema de corrupção interna. A decisão cumpre determinação judicial após as funcionárias se tornarem rés em uma ação penal por desvios ocorridos entre 2021 e 2022.

O Esquema: Falsificação e Aumento Salarial

A investigação do Ministério Público Estadual (MPE) revelou uma logística de fraude documental dentro do Legislativo:

  • Fraude Grafotécnica: Um laudo pericial confirmou que as servidoras falsificaram a assinatura do então presidente, Edmar Pires da Silva Júnior, em portarias que concediam aumentos salariais a elas mesmas. A perícia classificou o ato como “falsificação por imitação servil simples”.

  • Montante Desviado: Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos chegue a R$ 190.900,00.

  • Inserção de Dados Falsos: Além das assinaturas, as rés são acusadas de inserir dados fraudulentos nos sistemas oficiais da Casa para viabilizar os pagamentos.

Medidas Judiciais e Restrições

Devido à gravidade dos fatos, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares para garantir a instrução do processo e a proteção do patrimônio público:

  1. Afastamento: Suspensão das funções por, no mínimo, 180 dias.

  2. Proibição de Contato: As rés não podem manter contato com agentes públicos ou testemunhas do caso.

  3. Distanciamento Físico e Digital: Estão proibidas de se aproximar da Câmara e tiveram todos os acessos aos sistemas de informática bloqueados.

  4. Fim do Sigilo: O processo agora é público, sob a justificativa de que casos de malversação de dinheiro público exigem transparência total.

Posicionamento da Câmara Municipal

Em nota oficial, a Câmara de Paranaíba esclareceu que os fatos pertencem à gestão anterior e que a própria instituição encaminhou as provas ao Ministério Público após auditoria interna. A Casa Legislativa reforçou que as servidoras permaneceram trabalhando até agora em respeito ao princípio do devido processo legal, mas que a ordem de afastamento judicial foi cumprida imediatamente após a notificação.

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