Lula faz autocrítica e cobra reestruturação do PT em discurso de 46 anos do partido

Presidente critica 'brigas internas' e perda de espaço, defendendo foco no fortalecimento do partido e diálogo com a população mais pobre e evangélica.

Presidente Lula durante discurso na celebração dos 46 anos do PT, em Salvador

Em celebração aos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador, o presidente Lula fez um discurso contundente, marcado por cobranças e autocríticas.

O presidente questionou a perda de espaço do partido nos municípios, alertando que a sigla precisa parar de ‘perseguir o erro’. ‘As brigas internas acabaram com o PT‘, afirmou Lula, cobrando um foco maior no fortalecimento da instituição partidária, e não apenas em sua figura.

Lula enfatizou a necessidade urgente de o PT retomar o contato direto com a população mais pobre. ‘O PT precisa ir para a periferia conversar com o povo’, ressaltou. Ele também destacou a importância do diálogo com o público evangélico, lembrando que grande parte desse grupo recebe benefícios do governo. ‘Nós não precisamos esperar o pastor falar bem de nós. Nós precisamos ir lá’, completou.

Para defender os resultados de seu governo, Lula citou a queda da inflação, a alta na Bolsa de Valores e o aumento real do salário mínimo. Ele propôs uma comparação entre seus três anos de mandato e os sete anos anteriores (gestões Michel Temer e Jair Bolsonaro), classificando o período anterior como ‘golpe’.

Sobre as próximas eleições, Lula alertou que a vitória dependerá da ‘narrativa política’ e do combate às notícias falsas. ‘Essa campanha tem que começar com a verdade derrotando a mentira. Temos que escrachar cada mentira que eles contarem’, disse.

O presidente também criticou o orçamento secreto, classificando-o como um ‘sequestro do orçamento do executivo’, com valores próximos a R$ 60 bilhões neste ano. Surpreendentemente, ele lamentou o voto favorável de sua própria base: ‘O mais triste é que o PT votou a favor’.

Apesar das críticas, Lula defendeu a manutenção das instituições democráticas e reconheceu a necessidade de tática e negociação na política. ‘Não temos que escolher se a gente quer ganhar ou se a gente quer perder’, ponderou, admitindo que o partido não tem hegemonia em todos os estados.

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