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POLÍTICA

STF Decreta Prisão de Controlador do Banco Master por Ameaças a Jornalista

Daniel Vorcaro é acusado de ordenar agressões a Lauro Jardim e uma funcionária, revelam mensagens interceptadas pela PF.

04/03/2026 às 09:49
3 min de leitura
Daniel Vorcaro, do Banco Master

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Campo Grande (MS) – O Supremo Tribunal Federal (STF) decretou, nesta quarta-feira (4), a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão foi motivada pela interceptação de mensagens da Polícia Federal (PF) nas quais Vorcaro ordena agressões físicas contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e uma funcionária.

Nas conversas, o banqueiro expressa o desejo de “dar um pau” no jornalista e “moer” a empregada. Os diálogos estão detalhados na decisão assinada pelo ministro André Mendonça.

Detalhes das Ameaças

As ordens foram direcionadas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como coordenador de um grupo responsável por vigilância e intimidação a mando de Vorcaro. Em relação a Lauro Jardim, Vorcaro afirmou que queria “mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, indicando a intenção de simular um roubo para encobrir a agressão. A PF registrou a seguinte troca de mensagens: Vorcaro: “Quero dar um pau nele”. Mourão: “Pode? Vou olhar isso…”. Vorcaro: “Sim”.

Em outra mensagem, Vorcaro se queixa de uma funcionária identificada como Monique: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, escreveu. Mourão perguntou o que deveria fazer, e Vorcaro determinou: “Puxa endereço tudo”.

Operação Compliance Zero

As mensagens foram descobertas no âmbito da “Operação Compliance Zero”, que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF aponta Vorcaro como líder de um esquema de captação de recursos no mercado financeiro mediante a emissão de títulos com rentabilidade superior à média.

A investigação revela que o grupo contava com a participação de um policial federal aposentado e utilizava credenciais de terceiros para acessar sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol, visando obter informações para ações de intimidação.

Segundo o STF, as operações financeiras sob investigação geraram um rombo de quase R$ 40 bilhões, coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF também identificou a ocultação de mais de R$ 2,2 bilhões em contas ligadas ao pai do banqueiro.

A PF também investiga o pagamento de propina a servidores do Banco Central para evitar a fiscalização do esquema. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, chefes no departamento de supervisão bancária, foram afastados de suas funções pelo STF, acusados de repassar informações internas e revisar ofícios do Banco Master em troca de pagamentos mensais.

O ministro André Mendonça também determinou a prisão preventiva de outros três investigados.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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