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INTERNACIONAL

Gaza: Tragédia Humanitária Persiste Apesar do Cessar-Fogo

Cinco meses após a trégua, palestinos enfrentam escassez de ajuda e destruição, com limpeza étnica denunciada.

07/03/2026 às 05:19
3 min de leitura
Crianças palestinas deslocadas procuram itens que possam ser usados ​​como combustível para cozinhar, em meio a uma pilha de lixo ao lado de prédios destruídos no campo de refugiados de Bureij, na região central da Faixa de Gaza, em 23 de novembro de 2025. (Foto de EYAD BABA / AFP)

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Faixa de Gaza ainda enfrenta uma grave crise humanitária, cinco meses após o cessar-fogo entre Israel e Hamas. Apesar da diminuição dos bombardeios, a situação permanece catastrófica para os civis palestinos.

O acordo de cessar-fogo, assinado em 10 de outubro após dois anos de conflito, não se traduziu em melhoria significativa no cotidiano da população, segundo Jonathan Fowler, porta-voz da Agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA). “A situação em Gaza permanece absolutamente catastrófica. A ajuda humanitária não é suficiente e enfrenta restrições”, afirmou Fowler.

Vítimas e Destruição

Mais de 70 mil palestinos morreram nos dois anos de conflito, com mais de 600 corpos recuperados dos escombros desde o cessar-fogo, de acordo com o Ministério da Saúde palestino. Do lado israelense, 1.665 pessoas morreram, e 250 foram sequestradas em 7 de outubro de 2023.

Ahmed Shehada, presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), denuncia que o objetivo de Israel é a limpeza étnica dos palestinos. “Gaza continua submetida a um processo sistemático e deliberado de destruição social, econômica e estrutural”, avaliou.

Cessar-Fogo Frágil

O escritor palestino Mohammed Omer Almoghayer relata a dor da população que vive sob constante ameaça. Para ele, um cessar-fogo que apenas suspende os bombardeios, sem desmontar as estruturas da devastação, não é paz. “Trata-se do resultado de um cerco prolongado desde 2007, além da ocupação e do confinamento impostos desde 1967”, disse.

Almoghayer argumenta que a situação em Gaza não pode ser reduzida a uma “crise” humanitária. “Quando infraestrutura, casas, escolas, universidades, hospitais, mesquitas, igrejas e arquivos são destruídos, o que está sob ataque não é apenas à vida, mas a continuidade – à própria possibilidade de um futuro”, afirma.

Segundo a UNRWA, ao menos 92% das casas na Faixa de Gaza foram destruídas ou danificadas, resultando em escassez de abrigo e múltiplos deslocamentos.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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