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INTERNACIONAL

ONU pede a Israel para interromper expansão de assentamentos na Cisjordânia

Relatório da ONU aponta para possível 'limpeza étnica' devido ao deslocamento de mais de 36 mil palestinos.

17/03/2026 às 09:19
3 min de leitura
Uma bandeira palestina é colocada no local onde um ataque de colonos judeus matou 3 palestinos e feriu outros 7 em 8 de março, na vila de Abu Falah, a nordeste de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 12 de março de 2026. Excluindo Jerusalém Oriental, anexada por Israel, mais de 500.000 israelenses vivem em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, que são ilegais segundo o direito internacional. A violência na Cisjordânia palestina, ocupada por Israel desde 1967, aumentou drasticamente desde que o ataque do Hamas contra Israel desencadeou a guerra em Gaza, em outubro de 2023.

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A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo urgente a Israel nesta terça-feira (17) para que cesse imediatamente a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. A ação tem provocado o deslocamento forçado de mais de 36 mil palestinos em um ano, levantando sérias preocupações sobre uma possível “limpeza étnica”.

Segundo um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), abrangendo o período de novembro de 2024 a outubro de 2025, o deslocamento em massa de palestinos atingiu proporções sem precedentes. O ACNUDH destaca que os deslocamentos na Cisjordânia coincidem com o deslocamento em massa em Gaza, sugerindo uma política israelense concertada de transferência forçada.

Preocupações e Acusações

Em fevereiro, o Alto Comissariado já havia expressado o temor de uma “limpeza étnica” nos territórios palestinos ocupados, citando a intensificação dos ataques, a destruição de bairros inteiros, a recusa em fornecer ajuda humanitária e as transferências forçadas. O relatório registra a aprovação de 36.973 unidades habitacionais nos assentamentos em Jerusalém Oriental e 27.200 no restante da Cisjordânia.

Mais de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia, excluindo Jerusalém Oriental, em meio a quase três milhões de palestinos. A ONU considera esses assentamentos ilegais sob o direito internacional. A violência na região disparou desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, intensificando-se apesar do cessar-fogo em Gaza desde 10 de outubro.

Violência de Colonos e Crimes de Guerra

O ACNUDH registrou 1.732 incidentes de violência cometidos por colonos, resultando em vítimas e danos materiais. A violência é descrita como coordenada, estratégica e amplamente impune, com a participação central das autoridades israelenses. O relatório enfatiza que a transferência ilegal de palestinos constitui um crime de guerra e, em certas circunstâncias, pode ser considerada um crime contra a humanidade.

O chefe do ACNUDH, Volker Türk, apelou a Israel para cessar a expansão dos assentamentos, retirar os colonos e acabar com a ocupação dos territórios palestinos. Ele também exigiu o retorno dos palestinos deslocados e o fim das práticas de confisco de terras, expulsões forçadas e demolição de casas.

O relatório alerta para o risco crescente de deslocamento para milhares de palestinos pertencentes a comunidades beduínas ao nordeste de Jerusalém Oriental, devido ao avanço dos projetos de colonização.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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