Papa Leão XIV clama por esperança em Angola durante missa para milhares
Em visita a Angola, Papa pede justiça social e fim da corrupção, ressaltando a importância da esperança para o futuro do país.
Anuncie Aqui
Em Luanda, Angola, o Papa Leão XIV realizou uma missa campal neste domingo (19) para cerca de 100 mil pessoas, fazendo um forte apelo à esperança e à justiça social. O pontífice convidou os fiéis a “olhar para o futuro com esperança”, durante a celebração em Kilamba, a aproximadamente 30 quilômetros da capital angolana.
“Nós podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”, declarou o Papa, de acordo com informações do Vaticano e autoridades locais.
Apelo contra a Exploração
Após sua chegada no sábado (18), o Papa Leão XIV denunciou os “sofrimentos” e as “catástrofes sociais e ambientais” causadas pela “lógica de exploração” dos recursos naturais de Angola, país rico em petróleo e minerais. O discurso marcou um tom mais firme do pontífice em sua viagem de 11 dias ao continente africano.
Milhares de fiéis se reuniram desde a madrugada para a missa em Kilamba, muitos dormindo no local e vestindo camisas com o rosto do Papa ou exibindo bandeiras do Vaticano.
O padre angolano Pedro Chingandu destacou à AFP que “a riqueza está concentrada nas mãos de uma minoria muito pequena e, óbvio, a guerra que vivemos (1975-2002) apenas agravou a situação”. Ele reforçou a necessidade de “uma verdadeira democracia, da redistribuição da riqueza e de justiça”.
Patrício Musanga, congolês naturalizado angolano, expressou sua esperança por uma mensagem de esperança para a juventude, bem como de “reconciliação nacional e paz”. Para ele, a mensagem “pode servir realmente para toda a África, porque praticamente em todos os países os problemas são os mesmos”, incluindo a “falta de emprego” para os jovens.
Visita Histórica
Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, seguindo os passos de João Paulo II em 1992 e Bento XVI em 2009. O pontífice também visitou o santuário mariano de Muxima, um importante centro de peregrinação para católicos no sul da África.
A igreja de Nossa Senhora da Muxima, construída em 1599, atrai quase dois milhões de peregrinos anualmente. Segundo a lenda, uma estátua da Virgem Maria, chamada Mamã Muxima, teria aparecido no local. O advogado católico Domingos das Neves explicou que “Muxima representa, para o povo angolano, um ponto central para a profunda devoção popular a Nossa Senhora da Imaculada Conceição”.
Quase um terço da população angolana vive abaixo da linha internacional da pobreza.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
Ver mais matérias
Comentários